À PF, mulher de Cabral se cala sobre contratos com fornecedores do governo do Rio

À PF, mulher de Cabral se cala sobre contratos com fornecedores do governo do Rio

Advogada Adriana Ancelmo, que faturou R$ 73 milhões durante os mandatos do marido, invocou 'direito de permanecer em silêncio, em razão do sigilo profissional'

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

22 de novembro de 2016 | 15h39

Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, deixa a sede da Policia Federal apos prestar depoimento na Operação Calicute (Lava Jato). Foto: Wilton Júnior/Estadão

Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, deixa a sede da Policia Federal após prestar depoimento na Operação Calicute (Lava Jato). Foto: Wilton Júnior/Estadão

A mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), advogada Adriana Ancelmo, se calou na Polícia Federal quando questionada sobre contratos de seu escritório com empresas e concessionárias de serviços públicos durante os dois mandatos do marido (2007/2014). Adriana invocou apenas o ‘direito de permanecer em silêncio, em razão do dever de seu sigilo profissional’.

Naquele período, segundo rastreamento da Operação Calicute – desdobramento da Lava Jato que prendeu Sérgio Cabral em caráter preventivo e o mandou para Bangu 8 -, o faturamento da banca Ancelmo Advogados bateu em R$ 73,1 milhões. Parte dessa quantia saiu de contratos com empresas públicas.

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Questionada pela PF, que a conduziu coercitivamente para depor no dia da deflagração da Calicute, a advogada afirmou que pode comprovar todos os pagamentos recebidos por seu escritório. Ela informou à PF que ‘atua na advocacia desde 1995; que atua na área cível, trabalhista, societária, órfãos e sucessões, ambiental, em geral, todas as áreas, exceto a criminal’.

“Deseja consignar que possui comprovação de todos os serviços prestados e de todos os pagamentos recebidos pelo escritório de todos os seus clientes”, afirmou.

Os federais indagaram Adriana sobre a coleção de vestidos que ele adquiriu com dinheiro vivo, ao preço total de R$ 57 mil. Ela declarou que ‘não tem costume’ de comprar vestidos com pagamentos em espécie. Disse, ainda, que ‘não tem conta no exterior’.

Na lista de pagamentos em espécie feitos por Adriana, o Ministério Público Federal apontou para R$ 57.038,00 desembolsados em seis vestidos de festa.

O valor dos vestidos de festa, segundo os investigadores, foi dividido em sete vezes. Em 7 de janeiro de 2014, Adriana Ancelmo fez quatro depósitos, um de R$ 5.238,00 e três de R$ 9.900,00. Em março seguinte foram três depósitos: um no dia 19 no valor de R$ 6.100,00 e dois no dia 20 nos valores de R$ 7 mil e de R$ 9 mil.

A PF insistiu com Adriana sobre gastos em dinheiro em espécie. A Lava Jato investiga pagamentos dessa natureza realizados pela mulher de Sérgio Cabral e investigados ligados a ele.

Adriana declarou à Federal que ‘seus gastos em viagens ao exterior são pagos quase na totalidade através de seus cartões de crédito, Mastercard e Visa, vinculados à conta individual em seu nome’.

Em 7 de maio de 2014, Adriana comprou móveis no valor de R$ 33.602,43. Em 12 de agosto de 2015, a ex-primeira-dama pagou R$ 25 mil em espécie – de um total de R$ 40 mil – em dois mini buggys. Entre dezembro de 2009 e julho de 2014, a mulher de Cabral adquiriu eletrodomésticos por um valor total de R$ 110.262,00 e pagou R$ 7.995,00 em espécie, R$ 55.987,00 por meio de depósitos em espécie em conta corrente, R$ 9.925,00 por meio de boleto bancário pago em espécie e o restante em cheques.

“Não tem o hábito de saldar suas despesas em espécie; que nunca adquiriu joias através de pagamento em espécie”, disse. “Possui três veículos, todos blindados; que não se recorda se efetuou o pagamento de blindagem de veículos, em espécie; que não se lembra de ter adquirido móveis para seu escritório ou para a sua residência nos últimos anos; que possui mini-buggies para crianças e não se recorda como foi realizado o pagamento dos mesmos.”

Adriana Ancelmo afirmou que ‘não possui mais nenhuma casa de veraneio nesse condomínio ou em nenhum outro’. “Não utiliza helicóptero para se deslocar entre Rio de Janeiro e Mangaratiba; que não possui, nem nunca possuiu conta no exterior; que deseja consignar que não teve acesso aos autos da investigação.”

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