A pensão milionária de ‘Manoel’, ex-mulher de Cabral

A pensão milionária de ‘Manoel’, ex-mulher de Cabral

Procuradoria aponta que Susana Neves também recebia parte das propinas do grupo do ex-governador que seriam utilizadas para pagar contas de cartão de crédito e até IPVA

Fábio Serapião, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

26 de janeiro de 2017 | 18h50

WILT5579.JPG RIO DE JANEIRO RJ 26/01/2017 POLITICA - OPERAÇÃO EFICIÊNCIA / LAVA JATO / CALICUTE - Movimentação de agentes da Policia Federal durante a Operação Eficiência, desdobramento da Calicute, fase da Lava Jato no Rio de Janeiro. NA FOTO Susana Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral chegando a sede da Policia Federal no Rio de Janeiro FABIO MOTTA / ESTADÃO//

Susana Cabral, ex-mulher de Sérgio Cabral, chegando a sede da Policia Federal no Rio de Janeiro. Foto: FABIO MOTTA / ESTADÃO//

Ao avançar sobre o esquema de corrupção do grupo do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), atualmente detido em Bangu 8, a força-tarefa da Lava Jato no Rio chegou até a ex-mulher do peemedebista, Susana Neves, alvo de um mandado de condução coercitiva nesta manhã na Operação Eficiência.

A atual mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, está presa preventivamente acusada de utilizar seu escritório de advocacia para lavar dinheiro da propina destinada ao peemedebista.

Susana é mãe do deputado Marco Antonio Cabral (PMDB), filho do ex-governador do Rio.

Os procuradores identificaram que parte da propina recebida pelo grupo era destinada a ela também, inclusive para pagar contas da família. Seu nome já havia aparecido na Operação Calicute, quando foi encontrado  o codinome “Susi” nas planilhas de pagamentos dos operadores de Cabral, que somavam R$ 883 mil entre 2014 e 2016.

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Agora, com as delações premiadas de dois operadores do mercado financeiro, os irmãos Marcelo e Renato Chaber, o MPF aponta que “os valores distribuídos à Susana Cabral eram de maior monta” e que também eram utilizadas as expressões “manoel”, “manuel” ou até “motorista-manuel” para se referir aos repasses em dinheiro em espécie para ela buscados pelo motorista Manoel, da família.

Os delatores entregaram uma planilha detalhando os pagamentos a ela e admitiram que pagaram até contas de cartão de crédito de Susana de R$ 50 mil, além de outras despesas como ‘IPVA, conta de luz, gás e escola’. Os repasses dos delatores para a ex-mulher de Cabral entre 2014 e 2015 somam R$ 274 mil.

DELATOR RELATA TER PAGO CONTAS DE SUSANA:

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Diante disso, o MPF pediu e o juiz Marcelo Bretas autorizou a condução coercitiva de Susana para descobrirem o nível de conhecimento que ela tinha da organização criminosa.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE SUSANA:

O advogado Sérgio Riera, defensor da ex-mulher de Sérgio Cabral, afirmou que ela ‘não sabia a origem’ dos valores a ela repassados. “Para ela eram valores lícitos, era uma espécie de pensão. Não havia nada judicializado com relação a isso.”

 

 

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