‘A pena revela ódio implícito’, diz Paulo Pimenta sobre prisão de Dirceu

‘A pena revela ódio implícito’, diz Paulo Pimenta sobre prisão de Dirceu

Líder da bancada do PT na Câmara, deputado federal afirma que pena de 30 anos e onze meses de reclusão imposta a ex-ministro na Lava Jato não é aplicada nem em casos de assassinato no Brasil

Isadora Duarte, especial para o Estado

17 Maio 2018 | 21h20

Paulo Pimenta (PT-RS) Foto: Agência Câmara

O líder da bancada do PT na Câmara Paulo Pimenta disse que ‘é ilegal’ a ordem de prisão expedida contra o ex-ministro José Dirceu – condenado a 30 anos e onze meses de reclusão na Operação Lava Jato, o ex-ministro do governo Lula teve rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) seu recurso decisivo, nesta quinta-feira, 17.

“A prisão é ilegal porque está em desacordo com a Constitutição em prender qualquer brasileiro sem que o processo seja concluído”, protesta Paulo Pimenta. “Ainda há recursos no TRF-4.”

A juíza Gabriela Hardt, substituta do juiz Sérgio Moro, decretou a prisão de Zé Dirceu e deu a ele até 17 h desta sexta-feira, 18, para se entregar na Polícia Federal em Brasília, onde reside.

“A pena revela a carga ideológica e o preconceito que se expressa pelo tempo que Zé Dirceu foi condenado, mais de 30 anos, que não é utilizado no Brasil sequer para condenar alguém que cometeu assassinato”, afirma o líder do PT na Câmara.

“A pena revela um ódio implícito, revela preconceito e se utiliza de uma sentença judicial para fazer uma luta ideológica na sociedade.”

O parlamentar disse esperar que a ministra Carmén Lúcia, presidente do Supremo, coloque em pauta Ação Declaratória de Constitucionalidade ‘para que se restabeleça o processo democrático no Brasil e para que Dirceu possa recorrer em liberdade’.

Paulo Pimenta disse, ainda, que a pena imposta ao ex-ministro da Casa Civil ‘revela a seletividade da Lava Jato’.

“Temos uma figura como (Geraldo) Alckmin em situação semelhante e o processo foi enviado para a Justiça Eleitoral. O (José) Serra tem contas na Suíça, no exterior e nunca aconteceu nada com ele. O Aécio Neves está livre, leve e solto. Isso mostra que a Justiça no Brasil tem dois pesos e duas medidas e que a Lava Jato é um instrumento político para isso.”

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