A pandemia e suas nuances na saúde, economia e comportamento

A pandemia e suas nuances na saúde, economia e comportamento

Monica Portella*

14 de abril de 2021 | 14h25

Monica Portella. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil é campeão mundial em casos de transtornos ansiosos. Nos últimos tempos, vimos os casos de transtornos de ansiedade aumentarem exponencialmente em função da Pandemia. De acordo com pesquisas para cada 100 casos de Covid19 há mais de 7.000 casos de transtornos de ansiedade. Segundo uma meta análise da Universidade de Duke, 1 a cada 3 pessoas no planeta desenvolveu algum sintoma de ansiedade, depressão, TEPT ou insônia durante a Pandemia.

A Covid19 não traz apenas sintomas de ordem fisiológica, pode trazer sequelas emocionais e econômicas para grande parte da população. Essas, em termos de doença mental podem durar anos. Um quadro de ansiedade ou depressão não irá acabar com a Pandemia, com certeza teremos alguns meses ou ate mesmo anos de instabilidade emocional e estresse.

Algumas estratégias podem auxiliar portadores de transtorno de ansiedade que tiveram Covid19 e se recuperaram, como por exemplo, Construir metas (no sentido de enxergar uma saída, mesmo diante de um cenário nebuloso e incerto economicamente)e focar no propósito de vida durante e após a doença. O Contato frequente (mesmo que virtual) com a rede de apoio e focar no que pode ser feito daqui pra frente também irão fazer a diferença nesse momento de muita insegurança.

Em um mundo vivendo um momento de pandemia sofremos várias alterações e uma delas foi a forma como passamos a lidar com nossas metas e de que forma podemos estabelecer esses prazos para alcançar nossos objetivos. Tudo mudou. Se basear na realidade, focar no presente e reconhecer os limites e fraquezas vem sendo a fórmula ideal na hora de se estabelecer metas possíveis e isso vai nos ajudar a avançar.

Vivemos um momento de total resiliência e possibilidades reais. A resiliência, pode ser descrita, como a capacidade de resistir e lidar bem com a adversidade ou crise. Pessoas resilientes recuperam-se mais rapidamente de problemas, crises, adversidades e até mesmo eventos traumáticos (acidentes, sequestro e eventos envolvendo morte de terceiros e\ou violência) de uma maneira geral, sendo que pessoas altamente resilientes podem crescer e até mesmo se tornar melhores depois de uma grande crise ou evento traumático (crescimento pós traumático).

Em suma, é a atitude mental que vai fazer a diferença, nesse momento, assim como também a reinterpretação da situação, a aceitação, e os mecanismos de enfrentamento.

*Monica Portella, psicóloga, pós-doutora em psicologia pela PUC-Rio, doutora em psicologia social e cognitiva pela UFRJ e mestre em psicologia social pela UFRJ . Trabalha com terapia cognitiva comportamental e psicologia positiva no Rio de Janeiro

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