A ordem de prisão contra o doleiro das ‘mulheres bonitas’

A ordem de prisão contra o doleiro das ‘mulheres bonitas’

Leia a íntegra da decisão do juiz Ricardo Augusto Leite, da 10.ª Vara Federal de Brasília, que mandou prender Fayed Traboulsi, alvo da Operação Miqueias por fraudes de R$ 300 milhões em fundos de pensão municipais em parceria com ex-modelo

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

17 de novembro de 2016 | 19h28

miqueiasdecisao

O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal de Brasília, decretou a prisão do doleiro Fayed Antoine Traboulsi, alvo maior da Operação Miqueias. O doleiro foi preso nesta quinta-feira, 17, pela Polícia Federal.

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Operação Miqueias foi deflagrada em setembro de 2013 pela Polícia Federal. Na época, Fayed e uma ex-musa do Avaí, foram presos por suspeita de comandarem esquema de desvio de recursos de fundos de pensão municipais que movimentou mais de R$ 300 milhões. Depois, o casal foi colocado em liberdade.

Em sua decisão, de nove páginas, o juiz Ricardo Leite recebeu denúncia da Procuradoria da República e mandou prender o doleiro outra vez e, ainda, dois aliados de Fayed.

O magistrado atribui a Fayed ‘personalidade voltada para a prática delitiva’.

Fayed, de acordo com a ordem judicial, ‘possui vários inquéritos penais e ações penais, mais de quinze incidências penais. segundo sua folha de antecedentes. e em tipos penais diversos como corrupção. crime contra o sistema financeiro. tributários. contrabando. lavagem de dinheiro. falsidade ideológica. uso de documento falso, já havendo inclusive duas condenações nesta Vara’.

Amparado na denúncia do Ministério Público Federal, o juiz destacou a estratégia de Fayed para se infiltrar nas prefeituras e nos fundos municipais. “A sofisticação da organização criminosa na cooptação de laranjas, abertura de empresas fantasmas, abertura de contas, circulação dos valores entre contas bancárias e saques em espécie, além de contar com a participação de ex-policial civil de grande influência sendo responsável, inclusive, por vazamentos de informações sigilosas por possuir amizade com autoridades policiais, além de contar com participação de autoridade de auditor fiscal da Receita Federal, demonstra grande capilaridade e força desta estrutura criminosa’.

“Aliado a este alto poder dentro do Estado, bem como modo de atuação em encontros com prefeitos, geralmente pela contratação de mulheres bonitas para apresentação dos investimentos e dos projetos, a única alternativa que vislumbro para a dissolução desta organização delituosa, além do encarceramento de Fayed, é a efetivação da prisão preventiva dos denunciados para assegurar a completa dissolução desta frente criminosa, impedindo a prática de novos atos, bem como para assegurar a conveniência da instrução criminal, já que o denunciado e seus comparsas possem notável círculo de interferência na esfera estatal, especialmente em corporações responsáveis diretamente pela persecução penal, no caso a Polícia Civil do DF, e a Receita Federal.”

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