A nova face do desemprego

A nova face do desemprego

Pedro Janot*

30 de outubro de 2020 | 10h06

Pedro Janot. Foto: Divulgação

Em 2015, em plena era Dilma, o Brasil contabilizava 13,3 milhões de desempregados. Cinco anos depois, com a pandemia chegamos a 14,4 milhões. Mas, agora, estamos diante de uma nova face, a qual atinge diretamente os jovens na faixa dos 18 a 24 anos, de forma abrupta foram jogados em uma situação que não vão encontrar um lugar no mercado por falta de conhecimento sobre as linguagens digitais. Jovens que não se preparam para o futuro do trabalho, seja por falta de oportunidades ou contato com as ferramentas adequadas; formaram-se na velha escola, baseada na economia do século XX.

Esse contingente está em busca de trabalho com as armas erradas e sem contar com a ajuda do governo para essa virada de chave. O desafio está em preparar os jovens para a nova economia, que é baseada em conhecimento digital, e fazer isso em massa – tendo em vista que a área de TI e Digital é a que mais cresce e gera empregos no mundo. Além disso, o resultado desta pandemia nas empresas foi um home office absolutamente consolidado em sua forma de atuar, menos pessoas realizando mais atividades, aumentando a produtividade nas empresas. Dados que chancelam o modelo de atuação das organizações do futuro, já anunciado por gigantes como Amazon e Alibaba, que têm como seu principal capital o humano e não estruturas físicas, por exemplo.

Nesse contexto, pesquisas apontam que hoje o home office é mais importante para um candidato a emprego do que o salário ofertado. Ou seja: as pessoas estão trocando dinheiro por qualidade de vida, por planejamento, pela opção de atuar em qualquer lugar. Barreiras territoriais não existem mais.

Portanto, é chegada a hora dos grandes educadores do País abrirem suas portas e oferecerem acesso digital aos estudantes de classes menos favorecidas, seja nas universidades privadas ou em organizações tradicionais na área de formação de TI como Sesi, Senai, Senac.

Os jovens estão encurralados. Precisam aprender sobre tecnologia e aprender a empreender. A pandemia também nos mostrou o quanto a economia pode se movimentar em pequenas células, gerar empregos e renda em comunidades. Seja por empreendimentos de base tecnológica, seja em operações menores, como entregas de quentinha. O fato é que empreendedorismo deve estar na pauta das escolas, ensinado junto com ciência e tecnologia.

Porque a diferença entre esses dois momentos de desemprego no País, separados por cinco anos, não está nos 1,1 milhão de desempregados a mais em 2020, mas no modus vivendi da sociedade atual e futura. Hoje, temos um desemprego estrutural onde tudo se transforma muito rápido. Precisamos estar alertas para não perder a geração que tocaria a nossa economia na próxima década.

*Pedro Janot, membro fundador da Azul Linhas Aéreas e sócio do Grupo Solum

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