A mulher no centro do mundo ou onde ela quiser

A mulher no centro do mundo ou onde ela quiser

Ana Beatriz Grimaldi Café, Rosilene Aparecida Padeti Vera e Clarissa Miguel Martinho*

08 de março de 2022 | 07h30

Ana Beatriz Grimaldi Café, Rosilene Aparecida Padeti Vera e Clarissa Miguel Martinho. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Não é de hoje que a mulher luta para ocupar um lugar de destaque na sociedade e, consequentemente, no mercado de trabalho. Historicamente, em 1932, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, as mulheres finalmente conquistaram o direito ao voto e, desde então, passaram a ter papéis importantíssimos em todas as áreas de atuação. De lá para cá, a presença delas está cada vez mais forte e significativa, contribuindo de maneira maciça para o crescimento das instituições e, em paralelo, para a economia do País, quiçá do mundo.

Hoje as mulheres estão se destacando em diversas profissões e cargos.  Estão na política, na economia, na ciência, no mercado jurídico, no sistema de educação, no mercado financeiro etc. São advogadas, juízas, professoras, médicas, engenheiras, empreendedoras, ocupam cargos de liderança em setores importantes e estratégicos nas grandes instituições nacionais e multinacionais; estão por toda parte, conquistando ainda mais espaço.

A questão da importância da igualdade salarial nas instituições ainda segue a passos curtos e o caminho a ser percorrido ainda é longo.  Para se ter uma ideia, dados do Banco Mundial, divulgados no ano passado, mostram que, se as mulheres tivessem a mesma renda que os homens durante toda a vida, a riqueza global aumentaria US$ 172 trilhões.

No Brasil, por exemplo, apenas 14,7% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, de acordo com uma pesquisa recente realizada pela Teva Índices, provedora de índices para ETFs. Isso mostra que ainda existem pontos que evidenciam a diferença nos tratamentos dados a homens e mulheres no mercado de trabalho, mesmo que alguns importantes paradigmas já tenham sido quebrados.

A questão salarial, de fato, é algo que precisa de mais atenção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em pesquisa divulgada em fevereiro de 2022, as mulheres receberam, em média, 77,7% do total de rendimentos percebidos pelos homens em 2019. A diferença é ainda maior entre os cargos com maiores salários, como os de direção e gerência, em que as mulheres ganham, em média, homens nos mesmos cargos e funções.

No mercado jurídico, essas questões também não são diferentes, mas já se pode ver alguma movimentação. Uma recente publicação do Chambers Brazil, guia que lista as melhores bancas jurídicas e, consequentemente, os melhores profissionais do mercado jurídico no País, registra que a presença de mulheres reconhecidas por clientes e/ou outros colegas subiu de 19% em 2020 para 22% em 2021, o que é um resultado bastante positivo, ainda que irrisório e, apesar disso, é indiscutível o progresso obtido pelas mulheres.

Mesmo com todos esses pontos que precisam ser desenvolvidos, é indispensável dizer que o futuro é feminino. Apesar de muitos desafios, a participação da mulher na sociedade tem-se tornado um símbolo inspirador e motivador diante das conquistas realizadas por elas ao longo das últimas décadas. Para se ter ideia das transformações que a mulher está realizando no mercado de trabalho, a consultoria Boston Consulting Group divulgou que, em 2020, startups fundadas por mulheres em várias partes do mundo geraram o dobro de receita a cada dólar recebido em investimento, em comparação com as fundadas por homens. Uma análise ainda mostra que startups com fundadoras têm 2,5 vezes mais mulheres em seus times.

 As mulheres são cuidadosas, meticulosas e possuem grande capacidade de refinamento na execução das tarefas. Por isso, as instituições estão cada vez mais de olho nessas profissionais. Para além da questão econômica, empregar mulheres é uma questão de reconhecimento, mas não basta empregar, é necessário também pagar adequadamente.

Vale destacar, ainda, que atualmente existem iniciativas e movimentos em todo o mundo que vêm sendo responsáveis por viabilizar o ingresso e a atividade de mulheres nos campos estratégicos e da ciência em geral.

O Dia Internacional da Mulher é apenas mais um brinde às conquistas das mulheres ao longo dos anos. A data, além de celebrativa, deve ser lembrada como um dia de reivindicação da igualdade de gênero, assim como se fez no início do século 20, com protestos ao redor do mundo, entoados por mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa em busca dos seus direitos.

Hoje, mais do que nunca, a data é um convite à reflexão e um marco na luta das mulheres pela afirmação de sua dignidade e contra todas as formas de violência e discriminação. Dada a multiplicidade de seus dons e potencial a mulher pode estar no centro do mundo. Ou onde quiser.

*Clarissa Miguel Martinho, advogada do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

*Ana Beatriz Grimaldi, gerente de Marketing do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

*Rosilene Aparecida Padeti Vera, gerente Financeira do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

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