A mudança da política pelo coaching; ajustes comportamentais

A mudança da política pelo coaching; ajustes comportamentais

Osmar Bria*

24 de janeiro de 2021 | 05h55

Osmar Bria. FOTO: DIVULGAÇÃO

O coaching é uma área que vem ganhando cada vez mais relevância nos últimos anos. Este tema já virou polêmica até em novela, reality show e em inúmeras reportagens na TV. Na política não é diferente, e os profissionais desta área estão se tornando grandes aliados dos candidatos. Mas fica o questionamento na cabeça do cidadão comum: o coaching realmente pode mudar a política brasileira?

Para responder essa pergunta, é necessário definir de forma clara o significado da palavra. Coaching é um processo de desenvolvimento comportamental; já o coach é o profissional que guia esse processo. É ele quem vai ajudar a pessoa a alcançar o objetivo desejado.

Porém é necessário salientar que este objetivo precisa ser palpável, desejável e alcançável. Por exemplo, a vontade de “ficar rico”, por incrível que pareça, não é um objetivo claro. O conceito de riqueza pode variar entre as pessoas. Assim, é necessário estabelecer parâmetros para que esse tipo de meta seja alcançada.

Na política, o objetivo já fica muito mais claro se considerarmos as eleições. Um candidato já sabe a data e a hora do seu objetivo e por isso tem mais facilidade em definir suas estratégias e metas. Um agente político que deseja vencer necessita desenvolver suas habilidades comportamentais de modo que inspire as pessoas a estarem ao seu lado.

Um líder inspirador precisa gerar ressonância, fazer com que seu discurso tenha o alcance desejado. Seus colaboradores precisam se sentir representantes e representados. Para isso acontecer, é necessário um autêntico alinhamento de propósitos entre todos, após o qual o colaborador passa a entender o seu lugar dentro do projeto político-eleitoral. Assim, ele também vai ajudar a propagar as ideias do agente político.

Compromisso também é uma palavra-chave dentro do ajuste comportamental, pois é ela que vai nortear o relacionamento dos envolvidos no processo eleitoral. O compromisso juntamente com o alinhamento dos propósitos vai tornar a candidatura ainda mais atraente. Ou seja, mais alcançável e desejável por parte das pessoas.

Tudo isso não pode acontecer sem coerência. Os seres humanos são coerentes quando assumem compromissos, e isto será cobrado durante toda a caminhada eleitoral. A coerência mora dentro do inconsciente humano e gera a conexão necessária para o alinhamento dos propósitos.

Esses são os pilares do comportamento do líder político inspirador. Este líder também necessita da confiança e credibilidade das pessoas que vão estar ao lado dele em todo o processo eleitoral. Um comportamento ético condiciona a base segura de um grupo político.

Ao desenvolver o ajuste comportamental, o líder passará a desenvolver habilidades como sintonia, sincronia, consciência social, aptidão social, gestão de conflitos, trabalho em grupo, lidar com críticas e, principalmente, empatia. Em um processo de political coaching, todas essas características serão desenvolvidas de forma assertiva.

Obviamente, o coaching é complexo e trabalhoso. Mas, com certeza, é uma ferramenta à serviço da sociedade. Profissionais competentes precisam ser procurados e valorizados, principalmente os que possuem conhecimento das técnicas necessárias para desenvolver as habilidades e pilares comportamentais citados neste artigo. Assim, é possível mudar a política brasileira.

*Osmar Bria é autor dos livros A Fórmula do Voto e Mulher, Emoção e Voto. Realiza treinamentos com partidos e candidatos de todo o País

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.