A morte da Imprensa

A morte da Imprensa

*Marcelo Batlouni Mendroni

29 de junho de 2021 | 05h30

A imprensa brasileira morreu. Morreu de Covid19, segundo o atestado de óbito e, a exemplo das vítimas Seres Humanos, foi enterrada rapidamente e ninguém noticiou, até porque era ela mesma, a imprensa, que deveria noticiar, mas ela morreu…

Marcelo Batlouni Mendroni. FOTO: JOSÉ PATRICIO/ESTADÃO

Os cientistas têm dúvidas;…na verdade, muitas dúvidas. Questionam se o que matou a imprensa foi de fato a Covid19 ou se foi a polarização política. Segundo eles, tudo indica que foi: “Infecção Generalizada causada pela Polarização Política decorrente de Covid19”.

Mas como ela estava vacinada, e não era uma vacina só experimental, a causa mais provável é a de que ela se suicidou.

Pela Covid19 ou não, o fato é que os veículos de imprensa tradicional já estavam adoecendo, a partir do início de 2019, se polarizado politicamente, posicionando-se de forma dissimulada, contra ou a favor. Mais contra do que a favor… na verdade…quase todos contra. Com o início da pandemia da Covid19 (lembremos que esta foi a causa mortis que constou no atestado de óbito), aquilo que era noticiado de forma dissimulada, passou a ser noticiado de forma descarada, escancarada, premeditada e direcionada.

Os meios de comunicação, quase todos, passaram a externar seus pensamentos e favorecimentos políticos com nítidos direcionamentos. Aquilo que era feito em um esforço camuflado, indireto, astucioso e dissimulado para a manipulação da opinião pública, conforme os próprios interesses da empresa detentora dos direitos de comunicação (TVs, rádios, jornais e revistas); passou a ser feito de forma clara e evidente.

As notícias então passaram a ser entregues à população de forma distorcida, não autêntica. Pesquisas de opinião foram forjadas, apresentadores de jornais na televisão não conseguiam mais esconder o seu perfil político e passaram a inserir palavras escolhidas, frases selecionadas, a escolher ângulos e cenas nas filmagens, a escrever textos preparados, fazer gestos e entoações nas vozes; tudo para aquilo que desejassem enfatizar e da forma como o desejassem. Textos em jornais também passaram a ser escritos com palavras chamativas e alarmantes, selecionadas – com o mesmo objetivo. Nos próprios temas de reportagens, as pessoas eram escolhidas para ser ouvidas ou entrevistadas por suas tendências. Tudo foi sendo cuidadosamente pensado e preparado pelos editores das redações para, ao invés de noticiar, encenar a divulgação da notícia, que acabava saindo deformada para o público conforme os interesses próprios; principalmente os financeiros, mas também pela disputa dos índices de audiência – que no fim também são (sempre foram) interesses financeiros. O resultado é que a imprensa deixou dar notícias para fazer política, provocando uma patologia conhecida por “desinformação geral”. Esse foi o fator determinante, e foi fatal!

Os jovens, a nova geração, refiro-me àquela que raciocina, entenderam toda a situação e, vendo que seus pais (também me refiro aos que raciocinam) abandonaram os meios de comunicação e buscaram fontes alternativas de informações. Quase concomitantemente entraram em cena as redes sociais. Como nada é eterno e nem insubstituível, as redes sociais substituíram a imprensa tradicional (TVs, Revistas, Jornais, etc.).

Atualmente são as redes sociais que veiculam as notícias ou, como queiram, as informações. Ninguém sabe da origem delas, poucos checam a veracidade para depois veicular, mesmo assim, por incrível que pareça, estão recebendo maior credibilidade do que a falecida imprensa tradicional…

Seja pela causa mortis declarada no atestado de óbito, seja pelo suicídio, o fato é que a imprensa traiu a confiança do povo. Morreu, e não há mais o que fazer; a não ser utilizar o raciocínio para entender o sentido exato daquilo que se esconde por trás do que nos oferecem.

A traição quebra afetos verdadeiros que a Natureza inspira em almas simples.

(Dante Alighieri)

*Marcelo Batlouni Mendroni Promotor de Justiça/SP

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