A morte à espreita

A morte à espreita

Edson Miranda*

28 de março de 2021 | 05h45

Edson Antonio Miranda. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Estas linhas são escritas com a tinta da angústia. Sentimento próprio daquele que tem um amigo do coração prestes a ser abraçado pelo véu da morte.

O cadafalso da COVID se abriu para ele. Hoje segue para uma unidade de terapia intensiva, sabendo que tem apenas 60% de chance de sobreviver.

Acompanhar os passos do enfermo desde os primeiros sintomas até o caminho para a última trincheira da vida, é um sofrimento sem tamanho. Percebe-se que se caminha para a batalha final, sem saber se tem chance de ser vitorioso. Ninguém merece um sofrimento dessa magnitude.

Infelizmente não é um caso isolado. Repete-se aos milhares diariamente, por mais que alguns julguem tudo isto como um grande exagero, distante da realidade, quase uma distopia.

A verdade é esta que se apresenta. Milhares morrem todos os dias, pela insensatez de alguns que, com o medo de uma recessão econômica, minimizaram a pandemia de proporções catastróficas.

Aquele que hoje luta com todas as suas forças para sobreviver, para ter a chance de conhecer seu primeiro neto, acreditava piamente que tudo era um grande exagero e que as medidas sanitárias restritivas apenas comprometiam a vida econômica nacional.

Ele não é o único. Muitos pensam como ele e sequer imaginam que a foice da morte está mais afiada do que nunca.

Mas ele acreditou na verdadeira campanha negativista, acerca da gravidade da pandemia da COVID, que se implantou no Brasil e ainda se perpetua, mas agora camuflada por uma guinada nos rumos da história com o sucesso das vacinas, que protegem da peste que se espalha pelo mundo, por meio de um vírus que, para viver e se multiplicar, leva seu hospedeiro à morte.

Aqueles que divulgam as mensagens inverídicas da real dimensão do risco que todos corremos, estão manchando suas mãos para sempre com o sangue dos que morrem por serem incautos induzidos.

A angústia poderá se transformar em imensa tristeza, mas gerará força descomunal, para a luta incessante visando que a verdade se confirme, por mais dura e áspera que seja, levando os responsáveis pela insanidade do negativismo à Justiça ou pelo menos que sejam julgados rigorosamente pelo tribunal inexorável da história.

*Edson Miranda, advogado, professor universitário e escritor, com um amigo à beira da morte

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