A Moro, marqueteiro do PT diz que é preciso ‘rasgar véu de hipocrisia’ sobre doações eleitorais

A Moro, marqueteiro do PT diz que é preciso ‘rasgar véu de hipocrisia’ sobre doações eleitorais

João Santana admite ter recebido dinheiro de caixa 2 da campanha petista em 2010, e afirma que prática é disseminada no Brasil e no mundo; 'ou faz a campanha dessa forma ou não faz' afirmou

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

21 de julho de 2016 | 19h42

Foto: AFP

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Ao ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro nesta quinta-feira, 21, o marqueteiro João Santana, que atuou nas campanhas de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014) admitiu ter recebido por fora US$ 4,5 milhões de dívidas da campanha de 2010 de Dilma e afirmou ao juiz da Lava Jato que é necessário “rasgar o véu de hipocrisia” que envolve as doações eleitorais no Brasil.

“Você vive dentro de um ambiente de disputa, competição profissional. Se termina tendo que ceder, ou faz a campanha dessa forma ou não faz”, afirmou o marqueteiro. Ele disse ainda que a situação não ocorre somente no Brasil, mas no mundo todo.

O DEPOIMENTO DE JOÃO SANTANA AO JUIZ SÉRGIO MORO

“Os profissionais de eleições no mundo sempre sabem que existe caixa 2 que decorre de aposta no mercado futuro, de fazer amizades com governos. Eu não considero dessa forma ‘dinheiro sujo’, mas como dinheiro de negociação política”, seguiu Santana ao ser questionado por Moro se não tinha conhecimento que se tratava de dinheiro de corrupção.

O marqueteiro foi ouvido na ação penal contra ele e outros sete acusados de atuar no esquema de corrupção nos contratos da Petrobrás com a empresa de Singapura Keppel Fels e também nos contratos da Sete Brasil com o estaleiro da Keppel que teriam somado US$ 216 milhões em propinas. Dessa quantia, US$ 4,5 milhões da cota que era destinada ao PT teriam sido repassadas ao casal de marqueteiros em 2013 na conta na Suíça da offshore Shellbill Finance, que não era declarada por eles às autoridades brasileiras.

Esse valor, segundo admitiu o casal ao juiz da Lava Jato, era decorrente de dívidas da campanha de 2010 de Dilma Rousseff, também feita pelos dois marqueteiros, e que teria deixado, segundo Santana, uma dívida de R$ 10 milhões. Ele explicou que foi o próprio tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que teria indicado o operador de propinas Zwi Skornicki para fazer o pagamento. ” Se (o PT) não pagasse nós teríamos um grave problema de liquidez e eu não assumiria fazer a campanha”, afirma Santana.

COM A PALAVRA, A PRESIDENTE AFASTADA DILMA ROUSSEFF

A presidente afastada da República, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira, 22, que não autorizou pagamento de caixa 2 a ninguém durante sua campanha. “Na minha campanha eu procurei sempre pagar valor que achava que devia. Se houve pagamento (de caixa 2), não foi com meu conhecimento”, comentou.

 

 

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