‘A mão que assina a denúncia é a mesma que assina o arquivamento’, afirma Janot

Procurador-geral da República, sob sabatina no Senado, diz que não age movido por interesses partidários

Redação

26 de agosto de 2015 | 16h20

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Por Talita Fernandes, Beatriz Bulla, Ricardo Brito e Fausto Macedo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, durante a sabatina no Senado, nesta quarta-feira, 26, afirmou que não age movido por interesses pessoais ou partidários. “As pessoas me perguntam até onde vai a investigação (da Lava Jato). Eu digo: tem que perguntar até onde foram essas pessoas (os acusados por corrupção na Petrobrás). O que se procura é o estancamento da corrupção no Brasil, a corrupção é inaceitável.”

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Segundo Janot, o dinheiro para o sistema de saúde e da educação está sendo ‘drenado para o sistema de corrupção’. Indagado sobre um suposto direcionamento dos arquivamentos promovidos pela Procuradoria-Geral da República, Janot foi taxativo. “Posso garantir que a caneta que assina uma denúncia é a mesma que assina um arquivamento.”

Ele citou números ‘que dizem isso’. Segundo Janot, durante dois anos, foram pedidos 269 arquivamentos de inquéritos ‘democraticamente distribuídos por integrantes de todos os partidos’.

“Não há prevalência de nenhum deles (partido)”, afirmou o chefe do Ministério Público Federal. Janot informou, ainda, que naquele período foram apresentadas 26 denúncias ‘também democraticamente distribuídas para aqueles que cometeram ato ilícito, independentemente de partido e foi requisitada a instauração de 81 inquéritos também sem levar em consideração o partido político, mas a atuação da pessoa’.

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“Garanto que a mão que assina a denúncia é a mesma que assina o arquivamento”, reiterou.

Rodrigo Janot está sendo sabatinado no Senado nesta quarta-feira, 26. Após vencer com folga a eleição do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para ser reconduzido ao cargo de procurador-geral da República. Seu nome ainda deve ser chancelado pelo Senado nesta quarta-feira.

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