A mansão do operador do PSDB no Guarujá

A mansão do operador do PSDB no Guarujá

Peritos da Polícia Federal entregaram ao juiz da Lava Jato Luiz Antonio Bonat laudo com avaliação de imóvel com elevador, piscina e padrão refinado de acabamento do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, preso desde fevereiro; conheça a propriedade nas 57 páginas do documento

Julia Affonso

18 de julho de 2019 | 06h45

Mansão do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. Foto: Reprodução/Justiça Federal

Uma perícia da Polícia Federal descreve passo a passo como o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza transformou um imóvel em uma mansão no Guarujá, litoral paulista. Os peritos federais destacam que, em 2012, a casa já valia R$ 2,9 milhões. A denúncia da Operação Lava Jato contra o operador do PSDB aponta que ele comprou a propriedade por R$ 1 milhão – R$ 600 mil pelo lote e R$ 400 mil pelas benfeitorias no imóvel.

O valor do imóvel chamou a atenção do Ministério Público Federal. Na acusação formal contra o ex-dirigente da Dersa por lavagem de dinheiro, os procuradores afirmaram ‘que o valor de compra de R$ 1 milhão, informado por Paulo Vieira de Souza em sua declaração de imposto de renda e também perante o cartório de Guarujá, não era condizente com o valor do imóvel à época da transação’.

O laudo foi finalizado em 10 de julho e entregue ao juiz Luiz Antonio Bonat, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, nesta terça, 16.

“O valor de R$ 2,9 milhões, obtido após subtração dos débitos existentes do valor calculado no modelo de regressão (limite inferior), acha-se perfeitamente coerente à realidade do mercado para a data de março de 2012”, apontou a perícia.

Paulo Vieira de Souza está preso desde fevereiro. O ex-dirigente da estatal paulista já está condenado à mais alta pena da história da Lava Jato.

A juíza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, impôs a ele 145 anos e oito meses de prisão por peculato de R$ 7,7 milhões na Dersa. Ele também já foi sentenciado a 27 anos e 8 dias por crimes de cartel e fraude em contratos da Desenvolvimento Rodoviário S/A em São Paulo.

O laudo da Polícia Federal tem 57 páginas. Os peritos responderam a onze perguntas da Justiça, como por exemplo, sobre o valor da propriedade em 21 de março de 2012, quais foram as melhorias feitas no imóvel e possíveis irregularidades ambientais no condomínio e na mansão, e incluíram fotografias antigas e recentes da casa.

Segundo a perícia, o terreno ocupado pela residência possui área de 1.200 metros quadrados.

“A reforma realizada entre os anos de 2012 e 2014 alterou significativamente o imóvel, quer pelo seu padrão construtivo, quer pelo arranjo interno dos cômodos, preservando-se a estrutura de concreto armado, fundações, muros de contenção e projeção sobre o terreno”, destacaram os peritos.

“A construção existente em março de 2012 foi totalmente reformada e modificada, remanescendo apenas as estruturas de concreto, fundações e muros de contenções.”

Os peritos relatam que a casa tinha dois pavimentos: um andar térreo com 278,66 m² e um andar superior com 150,95 m².

Antes da reforma, o andar térreo tinha ‘uma sala ampla com três ambientes (jantar, estar e lareira), uma cozinha, uma dispensa, um lavabo, um salão de jogos, um hall de entrada, uma varanda em ‘L’, um banheiro de apoio, uma lavanderia, além da residência do caseiro’.

“O revestimento do piso destes cômodos aparenta ter sido executado com peças de cerâmica, as esquadrias são de madeira com algumas portas e janelas de veneziana. É possível identificar que parte do forro possui revestimento com lambris de madeira. Os revestimentos das paredes internas receberam pintura, exceção à área da cozinha onde se pode observar pastilhas cerâmicas”, descreve o laudo.

“O andar superior, à época da compra, possuía quatro suítes, uma sala íntima e um mezanino. Os padrões de acabamento dos quartos são similares aos observados nas salas e descritos anteriormente.”

Do lado de fora da casa, de acordo com a perícia, havia uma ‘rampa de acesso, área de estacionamento, uma piscina, um espelho d’água e um jardim gramado’.

A Federal relata que ‘algumas calçadas externas possuíam revestimento com pedras e guarda corpos de madeira’.

“Os registros fotográficos indicam a existência de uma garagem e um porão situados abaixo do andar térreo, além de um sótão, situado acima do andar superior”, aponta a perícia.

Em 2014, relata a PF, a prefeitura do Guarujá aprovou um projeto de reforma da mansão.

A propriedade teve demolidos 11,75 m² e acrescidos 242,75 m². Dentre as modificações, a perícia registrou: instalação de um elevador de três paradas no vão de uma das escadas originais, atendendo o hall da garagem, as salas e as duas suítes da frente, construção de varanda e instalação de uma sala de máquinas.

“Além das modificações nas divisões dos cômodos, a reforma realizada na residência substituiu todos os revestimentos de pisos e alvenarias, instalou novas luminárias, substituiu as esquadrias das janelas de madeira por janelas de PVC com venezianas motorizadas, modificou o forro por gesso (inclusive rebaixos), substituiu as instalações elétricas, trocou os guarda corpos de madeira por guarda corpos com perfis de aço inoxidável ou PVC, trocou as telhas da cobertura, instalou novas louças e metais nos banheiros e pias, instalou mobiliário planejado em diversos cômodos, trocou o revestimento da piscina e espelho d’água, instalou decks de madeira no entorno da piscina”, destaca o laudo.

“Em síntese, houve a instalação de uma nova concepção arquitetônica, mais moderna e com melhor padrão de acabamento.”

Veja como era a casa comprada pelo operador do PSDB

Veja como ficou a mansão de Paulo Vieira de Souza

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