A maior crise de Burnout do mundo corporativo

A maior crise de Burnout do mundo corporativo

Maria Eduarda Silveira*

23 de maio de 2021 | 08h00

Maria Eduarda Silveira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde que começamos a quarentena, surgiram inúmeros conteúdos sobre produtividade durante o home-office. Na essência, a maioria traz dicas de como se organizar para trabalhar em casa e entregar o resultado esperado. Perfeito. A mudança no formato do modelo de trabalho exigiu mesmo alguns ajustes importantes na rotina. Porém, junto com o home office, uma série de outros desafios surgiram aos colaboradores, principalmente sob a ótica emocional e psicológica. Afinal, impactados pelo cenário econômico e, também, pela ameaça constante de perda de emprego, passaram a viver uma pressão enorme para sobreviver em seus cargos e produzir o esperado, trabalhando mais horas por dia do que o recomendado.

É nesse ponto que a síndrome de burnout começou a se destacar e ganhar relevância no mundo corporativo. O excesso de cobrança e preocupação levou muitas pessoas a sentirem a perda de significado no trabalho, associada à exaustão mental, emocional ou física, decorrente de esgotamento profissional.

O quadro já tinha destaque no mundo corporativo antes da pandemia. Um levantamento realizado em 2018 pela Isma-BR (International Stress Management Association) apontou que mais de 32% dos brasileiros entre 25 e 65 anos já tiveram Burnout, algo em torno de 32 milhões de pessoas no Brasil.

Desde março de 2020, quando iniciou a jornada de trabalho home office, a maioria dos trabalhadores começou a apresentar problemas de saúde. Uma pesquisa conduzida pela Universidade do Sul da Califórnia (USC) relatou que cerca de 75% dos entrevistados tiveram problemas mentais. E isso está associado também à jornada de trabalho, que aumentou em média uma hora e meia por dia.

Com as pessoas adoecendo, as empresas sofrem impacto direto no desempenho dos profissionais e, consequentemente, nos resultados da organização. O escritor T. Harv Eker publicou uma fórmula em um dos seus livros que eu considero bem interessante: P – S – A = R, ou seja, “Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados”.

Isso quer dizer que se o pensamento e o sentimento são de ansiedade e esgotamento é impossível o resultado ser positivo.

Mas como ressignificar o momento e sair mais fortes desse período tão desafiador?

Primeiramente é preciso levar o tema da saúde mental a sério e não contribuir com o conceito de que quem não aguenta é fraco. É muito importante, também, que os líderes recebam orientações sobre a síndrome de burnout e entendam que a doença surge aos poucos e passa por algumas fases até atingir o estágio crítico.

Mais do que apenas entender o que é o esgotamento, é importante identificar esses sintomas a fim de tomar uma atitude para que esse estresse não evolua. É necessário ter empatia de verdade, na prática mesmo. Compreender que cada pessoa tem uma rotina dentro de casa, desafios diferentes e precisamos respeitar a sua singularidade.

As empresas precisam se reinventar na forma de liderar e de fazer seus negócios prosperarem. A criatividade deve ser elevada e o cuidado com o profissional precisa existir mais do que nunca. Somente assim, os colaboradores serão capazes de produzir e, aí sim conseguirem zelar e batalhar pela empresa.

Já estamos vivendo um cenário sensível demais na saúde e economia mundial. Tudo o que não precisamos é de uma crise mental se alastrando entre as pessoas. Por isso, vamos refletir juntos e ressignificar o que realmente é produtividade.

*Maria Eduarda Silveira, CEO da HR Tech Bold RH e idealizadora do blog Carreira Orgânica

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