A luta é pela sobrevivência

A luta é pela sobrevivência

Jhonata Emerick*

05 de julho de 2019 | 07h00

Frequentemente recebo de empresas pedidos de dados a respeito do mercado de inteligência artificial no Brasil por meio do meu trabalho na Associação Brasileira de Inteligência Artificial – ABRIA. Com a ajuda do meu amigo André Leão, da DataMiner, empresa especializada em buscar informações, levantamos os números e então veio a percepção de que a discussão não deveria ser apenas montar o panorama brasileiro focado em tecnologia, mas sim uma visão da situação das empresas atualmente.

O objetivo aqui não é abordar nenhum viés ideológico, mas mostrar como o cenário político incerto desfavorece o surgimento e a perpetuação de empresas no Brasil. E adianto que a situação é alarmante.

Os gráficos abaixo mostram aberturas e fechamentos de empresas seguindo um ritmo proporcional até 2015, quando no cenário político de instabilidade com a eleição de Dilma Rousseff, mais empresas encerraram suas atividades.

Passado este período, em 2016, voltamos a ter mais aberturas com perspectivas otimistas relacionadas ao impeachment, mas em 2018, com o cenário eleitoral já definido e confirmadas as previsões de dois extremos disputando o poder, aumentou em 400% o número de empresas fechando suas portas no País.

Este ano atingimos o menor índice de empresas abrindo desde 2013, e isso pode se dar ao cenário ainda incerto para investimentos no País.

Olhando por outra ótica, com o foco na inteligência artificial, podemos concluir que, tirando as grandes empresas, as demais estão lutando para sobreviver. O empresário não está conseguindo pensar em novas tecnologias ou novas formas de fazer as velhas coisas.

Estes costumam ser pontos de inflexão onde o governo precisa atuar rapidamente para ajudar as médias e pequenas empresas a se reinventar e soluções de IA se mostram como uma ótima opção em termos de redução de custo.

As ferramentas de machine learning usam de forma inteligente as informações obtidas e permitem que as empresas sejam mais assertivas na elaboração de estratégias e personalização de serviços.

As reformas estruturais que têm sido propostas são de fato urgentes e precisam ser aprovadas. Além disso, precisa também olhar no longo prazo, seja formando mão de obra, ou ainda colocando incentivos certos para que estas empresas possam tentar começar a se reinventar.

Assim como na natureza, no Brasil, a luta é pela sobrevivência. Mas nos mantemos otimistas em relação ao cenário futuro no País. Vemos cada vez mais empresas interessadas nos impactos que esta inteligência pode gerar para os seus negócios e sabemos que as iniciativas do setor ainda vão nos surpreender muito positivamente.

*Jhonata Emerick, CEO da DataRisk

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Tendências: