A lista de ‘Vermelho’

A lista de ‘Vermelho’

O ministro da Justiça Sérgio Moro, procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e Davi Alcolumbre (DEM), estão na lista dos mil hackeados por alvos da Operação Spoofing, que prendeu 4 por invasões de celulares de autoridades; veja quem, até o momento, foi vítima de ataques

Luiz Vassallo

28 de julho de 2019 | 05h54

Sergio Moro e Jair Bolsonaro. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça Sérgio Moro, procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e Davi Alcolumbre (DEM), estão na lista dos hackeados por alvos da Operação Spoofing, que prendeu quatro por invasões de celulares de autoridades.

A Polícia Federal estima, em uma análise preliminar nos celulares dos investigados, que são mais de mil vítimas. Somente Walter Delgatti Neto, conhecido como ‘Vermelho’, afirmou em depoimento que iniciou suas invasões por um promotor de sua cidade, Araraquara.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Marcel Zanin Bombardi foi responsável pela denúncia contra ‘Vermelho’, em 2017, por tráfico de drogas e falsificação de documentos públicos, na ocasião em que foi preso com remédios e uma carteirinha falsa da Medicina da USP.

A partir da invasão do celular do promotor de Justiça, o hacker diz que obteve contatos de procuradores, já que acessou um grupo do Ministério Público Federal.

Davi Alcolumbre. Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Ele cita que chegou a invadir os celulares de José Robalinho Cavalcanti, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República a partir do grupo. Em junho, o Cavalcanti afirmou ter tido uma suposta conversa com um hacker que se passava por Marcelo Weitzel Rabello de Souza, membro do Conselho Nacional do Ministério Público.

Por meio de um procurador da República do qual não se lembra, ele ainda afirma que acessou o celular de Kim Kataguiri (DEM), deputado federal. Na agenda do parlamentar, Vermelho cita que obteve acesso ao celular do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Kim Kataguiri. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

‘Vermelho’ também diz ter invadido o celular do ex-procurador-geral Rodrigo Janot a partir da agenda do ministro.

Por meio do celular dele, também afirma ter invadido procuradores da Operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior e Januário Paludo.

Alexandre de Moraes. FOTO: Adriano Machado/REUTERS

Em sua suposta rota até o alegado fornecimento ao site The Intercept, ele afirma ter invadido também os celulares dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Na agenda da petista, diz ter encontrado o número de Manuela D’Ávila, ex-deputada pelo PC do B. Ele diz que a ex-parlamentar teria intermediado o contato com o editor do The Intercept Glenn Greenwald. Ela admite que recebeu o contato de um hacker e o repassou ao jornalista.

Ex-deputada Manuela D’Ávila afirma que repassou contato de jornalista a uma pessoa não identificada pelo Telegram. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Os nomes de vítimas de hackeamentos, no entanto, vão muito além do relatado por ‘Vermelho’.

Somente no mandado de prisão contra ‘Vermelho’ e outros três suspeitos na Spoofing, consta que já eram investigadas as invasões de celulares de do desembargador federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, no Rio, ao juiz Flávio Lucas, da 18.ª Vara Federal do Rio e aos delegados da PF Rafael Fernandes, em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, em Campinas

Joice Hasselmann. Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil

Em uma análise preliminar sobre os celulares de investigados, a Polícia Federal afirma ter encontrado mil vítimas. Entre elas, estariam o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Já foi comunicado de que foi vítima dos ataques o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha.

Ministro João Otávio de Noronha. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Entre os hackeados, estão ainda o ministro da Economia, Paulo Guedes; e a líder do governo Bolsonaro no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP).

O presidente Jair Bolsonaro também foi alvo do ataque hacker, segundo o Ministério da Justiça.

Raquel Dodge, procuradora-geral da República. FOTO: ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou ter sido alvo de uma tentativa frustrada de hackeamento. Segundo dados da Procuradoria-Geral da República, 25 membros do Ministério Público Federal também foram hackeados.

 

 

 

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