A lista de codinomes da Odebrecht

A lista de codinomes da Odebrecht

Polícia Federal encontrou no computador de um executivo da empresa o gabarito para decifrar siglas de funcionários, termos, cargos e unidades do grupo usadas internamente em e-mails e mensagens; relatório com documento oficial da empresa é de 2016 e foi anexado em fevereiro a inquérito do 'departamento de propinas'

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fábio Serapião, Brasília

06 Março 2017 | 16h46

antonio pessoa de souza couto

A Operação Lava Jato identificou em 2016 no computador de um executivo da Odebrecht, que fez delação premiada, a lista de códigos usados na empresa nas mensagens e nos e-mails internos para identificar pessoas, cargos, termos e unidades do grupo. O documento foi feito um mês depois da prisão de Marcelo Bahia Odebrecht e executivos da empresa, em junho de 2015 – na 19ª fase das investigações, batizada de Erga Omnes.

Nela, Diretor Presidente da Odebrecht SA é CP ODB é, Cláudio Melo Filho, o executivo que tratava da corrupção no Congresso, era CMF, Jorge Barata, o diretor executivo para América Latina é JB. Siglas que, em maioria, eram as usadas nas mensagens de Marcelo Odebrecht antes e depois de ser preso e seus executivos.

lista de codigos mo 1

A lista foi encontrada nos arquivos de e-mails do diretor-superintendente da Odebrecht Realizações, no Rio de Janeiro, Antonio Pessoa de Souza Couto. Seu nome apareceu nos documentos do Setor de Operações Estruturas – chamado por investigadores de “departamento da propina” – em negociação de suposto suborno nas obras do Porto Maravilha, no Rio.

“Foi encontrado um documento em pdf denominado Resolução do Diretor Presidente, datado de 27 de julho de 2015”, informa Relatório de Análise de Mídia Apreendida Nº 403/2016, da Polícia Federal, em Curitiba. “Essa resolução traz alguns dos codinomes usados pela Odebrecht, que estão listados.”

lista de codigos mo 2

O documento é oficial da Odebrecht, uma resolução do diretor-presidente, e não há qualquer menção a crimes ou tentativa de ocultar informações. Ele foi destacado em relatório anexado em fevereiro ao inquérito da PF, que apura o “departamento da propina” do grupo, e tem sido usado por investigadores para leitura da comunicação entre pessoas da empresa.

A delegada Renata Rodrigues da Silva, da equipe da Lava Jato, pediu mais 90 dias ao juiz federal Sérgio Moro para encerrar esse inquérito.

O relatório é de julho de 2016 feito com base no material apreendido pela PF na 26ª fase da Lava Jato, a Operação Xepa, que tinha como alvo o Setor de Operações Estruturas da Odebrecht.

 

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