A linguagem dos US$ 200 bilhões!

Beto Vides*

13 de fevereiro de 2021 | 04h00

Sim, é isso mesmo, uma linguagem que valorizou incríveis 167.480.469 % (Cento e sessenta e sete milhões, quatrocentos e oitenta mil, quatrocentos e sessenta e nove porcento) em aproximadamente 47 anos.

Em 19 de outubro de 1972, para a primeira competição oficial de videogame registrada na história realizada na Universidade de Stanford, a premiação foi uma assinatura gratuita de um ano da revista Rolling Stone. Recentemente o maior prêmio de uma competição do gênero foi de singelos US$ 34,3 milhões para o DOTA 2’s The International em 2019.

Apenas uma brincadeira comparativa, mas que reforça a realidade cada vez mais explícita: É preciso embarcar nesse jogo.

O mercado de jogos digitais encerrou o ano de 2020 com um resultado de movimentação de US$ 12 bilhões em dezembro, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior e a maior receita mensal gerada de todos os tempos, e é esperado que ao final de 2023, o faturamento do segmento de jogos no mundo alcance US$ 200 bilhões.

Em 2020, mais e mais pessoas se voltaram para os jogos eletrônicos como uma alternativa de entretenimento ao cenário de quarentena, na prática, fazendo realmente da indústria de games um setor maior do que a soma do valor das indústrias de filmes e esportes da América do Norte, esta última bastante impactada por tudo que aconteceu em 2020.

Lembrando do nosso contexto atual, é muito difícil falar em “impactos positivos” de uma pandemia, mas, a indústria dos videogames foi notavelmente beneficiada pelo momento atual.

Jogos que são em essência cada vez mais sociais em seus desafios, aumento de possibilidades de interação, novas ferramentas e um mundo que demanda novos contextos de conexões entre pessoas fisicamente afastadas, fizeram com que a ”tendência do mainstream” gamer antecipasse alguns anos de desenvolvimento.

Pessoas que se conectam através de jogos, passam mais tempo nos jogos, consomem mais nos jogos, e são mais impactadas por mensagens entregues dentro deste universo. Isso se traduz em mais usuários ativos mensais, potenciais consumidores e alvos para esforços de marketing e publicidade.

Com o novo normal, os aspectos sociais serão cada vez mais integrados e presentes nos jogos, teremos cada vez mais comunidades, cada vez mais indivíduos se conectando, utilizando uma nova linguagem que já não pode ser negligenciada: uma linguagem de skins, cliques, campeões, rotas, poderes e vivências digitais.

“E você, já sabe falar esse novo idioma?”

*Beto Vides é fundador e diretor-geral da eBrainz

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