‘A lembrança dói muito’, chora homem que cobra leis mais severas após morte do filho em acidente causado por motorista bêbado

‘A lembrança dói muito’, chora homem que cobra leis mais severas após morte do filho em acidente causado por motorista bêbado

Rondon Caetano, radialista, 56 anos, sofre a perda de Pedro, 25, atingido no início de dezembro pelo condutor de uma caminhonete quando retornava de viagem na região de Dois Riachos, em Alagoas; o rapaz agonizou por um mês e não suportou os graves ferimentos; o motorista fugiu

Jayanne Rodrigues

03 de fevereiro de 2022 | 06h12

A morte prematura do filho foi o motivo de transformar o cotidiano do radialista Rondon Caetano, 56, em uma luta coletiva para cobrar o legislativo por leis mais rígidas de trânsito em casos de embriaguez. Hoje, a investigação sobre o caso corre em sigilo. Era domingo, 5 de dezembro, Pedro Caetano, 25, retornava de uma viagem. Quando passou pela cidade alagoana Dois Riachos, foi surpreendido por um veículo que fez ultrapassagem irregular e atingiu o seu carro. Pedro ficou 30 dias internado em coma, mas não resistiu. 

Pedro Caetano faleceu aos 25 anos. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Ele sofreu lesões severas no pulmão, sofreu traumatismo craniano, além de fraturas expostas nas pernas e nos braços. Testemunhas que presenciaram o acidente relataram que o motorista estava embriagado. O acusado fugiu do local antes de realizar o teste de alcoolemia. Além disso, não prestou socorro à vítima. No boletim de ocorrência, consta que o acusado, Edivanio Sena, teve apenas escoriações superficiais. Ele dirigia uma caminhonete. 

A mobilização virtual de Rondon começou no dia 7 de janeiro, data em que sepultou o filho. Abalado, fez um post nas redes sociais: “resolvi lutar pelo endurecimento das leis de trânsito, principalmente as que punem condutores embriagados. Conto com o apoio de todos e a união das famílias que sofrem o mesmo trauma que minha família está sofrendo”, escreveu. 

Em algumas horas, a publicação já ultrapassava 10 mil curtidas e mais de 2 mil comentários de internautas que lançavam #LeiPedroCaetano e #JustiçaPorPedroCaetano. Desde então, o pai trava uma batalha ao lado de políticos, juristas, vítimas de acidentes e artistas locais e nacionais. “Eu não quero que aconteça com mais ninguém o que minha família está passando”, diz emocionado.

NASCE UM PROJETO

Promover uma ação popular era a ideia inicial do radialista para sensibilizar os parlamentares. “Mas a gente ia precisar de mais de um milhão de assinaturas para chegar [no parlamento].” Com esse empecilho, Rondon decidiu buscar outros caminhos e fortalecer a rede virtual. Uma agência de mídias sociais do Rio Grande do Sul passou a monitorar, de forma voluntária, as mensagens enviadas a ele. 

Agora, a OAB de Palmeira dos Índios, subseção de Alagoas, está na elaboração de um projeto que deve ser entregue no dia 10 de fevereiro. O objetivo principal do documento, segundo o presidente da subseção Marcus Ribeiro, é apresentar elementos suficientes para endurecer a atual legislação: “vamos lutar para que o crime deixe de ser culposo para ser um crime doloso.” O deputado federal de Alagoas Severino Pessoa (Republicanos) vai ser o responsável por encaminhar o projeto para a Câmara dos Deputados. 

Enquanto tenta provar na Justiça a impunidade do acidente que matou o filho, Rondon descreve como ele era “altamente estudioso, cheio de sonhos, super parceiro e nunca me deu trabalho”. A morte precoce de Pedro ainda é traumática para Rondon.  “A lembrança do meu filho dói muito, dói muito…”

Entre janeiro de 2019 e julho de 2021, o estado de São Paulo registrou 12.470 acidentes e 892 óbitos de motoristas com suspeita de embriaguez ao volante. Em Alagoas, mais de 60 motoristas foram presos em flagrante em 2021 pelo crime de embriaguez ao volante no estado, segundo levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

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