A lavagem verde e os novos padrões ESG para investidores

A lavagem verde e os novos padrões ESG para investidores

Rafael Gonçalves de Albuquerque*

16 de novembro de 2021 | 06h30

Rafael Gonçalves de Albuquerque. FOTO: DIVULGAÇÃO

Frequentemente nos deparamos com a sigla ESG (sigla em inglês para “environmental, social and governance”), que em Português se traduz para “ambiental, social e governança”, sendo, em resumo, uma avaliação da consciência coletiva de uma empresa em relação aos fatores ambientais, sociais e de governança corporativa.

Também não são raras as notícias de que algumas divulgações ou materiais publicitários intencionalmente ou inadvertidamente enganam investidores sobre as abordagens ESG usadas em um produto de investimento, as características ESG de um produto de investimento, ou o grau de influência que um produto de investimento tem nas questões ESG.

As abordagens sobre ESG podem ser usadas de diferentes maneiras e para diferentes questões relacionadas à ESG. Como resultado, uma grande variedade de produtos de investimento que considera questões ESG está disponível no mercado e é muito difícil classificar esses produtos em categorias bem definidas.

Além disso, a terminologia das abordagens ESG em produtos de investimentos não é padronizada. Não é incomum ver o mesmo termo se referindo a diferentes temas de ESG ou tipos de produtos de investimento – ou ainda ver diferentes termos referindo-se à mesma abordagem de ESG ou tipo de produtos de investimento.

Todos estes fatores acima desencadearam o que o mercado chama de “greenwashing” ou Lavagem Verde, que é a distorção de conceitos e abordagens em relação ao ESG.

O interesse dos investidores relacionados àqueles conceitos e abordagens em relação às questões ESG deriva, em grande parte, do desejo de:

  • incorporar princípios éticos, valores ou crenças religiosas nas decisões de investimento;
  • evitar riscos ESG que possam afetar negativamente o valor dos investimentos;
  • mitigar os impactos negativos dos investimentos no meio ambiente e em outras pessoas; e
  • contribuir, total ou parcialmente, para a obtenção de resultados específicos, positivos, mensuráveis resultados ambientais ou sociais.

Em resposta ao interesse dos investidores em questões ESG, a indústria de gestão de investimentos desenvolveu uma variedade de abordagens para consolidar e, de certa forma, em uma tentativa de padronizar as questões ESG em um produto de investimento.

Como exemplo, o renomado CFA Institute lançou recentemente o relatório chamado de Padrões de Divulgação ESG Globais para Produtos de Investimento, que pretende desempenhar este papel de consolidação e padronização de conceitos.

Os padrões que a indústria de gestão de investimento vem criando baseiam-se nos princípios da representação justa e divulgação completa.

Quando esses princípios de ESG são realmente aplicados às divulgações e ao produto de investimento, os investidores devem receber informações que sejam, em resumo:

  • Completas.

As divulgações de produtos de investimento divulgam totalmente as informações de que os investidores precisam para compreender as abordagens ESG do produto de investimento. Informações significativas não são omitidas.

  • De confiança.

As divulgações ESG do produto de investimento representam de forma justa a aplicação de ESG do produto de investimento. As divulgações não soam falsas ou enganosas.

  • Consistentes.

As divulgações do produto de investimento complementam e estão em sintonia com as divulgações regulatórias e materiais de marketing.

  • Claras.

As informações são suficientemente específicas e precisas para efetivamente comunicar aos investidores as abordagens ESG do produto de investimento.

  • Acessíveis.

As informações estão prontamente disponíveis para os investidores.

Além disso os gestores de investimentos que tratam com produtos ligados à ESG devem observar uma gama de regras de compliance, disclosure (divulgações) e de terminologia para que estejam em sintonia com o real e fidedigno uso dos produtos de investimento ligados ao ESG.

Estas iniciativas certamente não esgotam os esforços de eliminação da Lavagem Verde do mercado, mas já trazem ares de maior confiabilidade para investidores interessados e engajados com o tema de ESG no Brasil e no exterior.

*Rafael Gonçalves de Albuquerque é diretor de Compliance da gestora norte-americana Umana House of Funds

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