A Lava Jato no cinema: Justiça libera imagem geral do dia em que Lula encontrou Moro

A Lava Jato no cinema: Justiça libera imagem geral do dia em que Lula encontrou Moro

Filmagem da audiência em que o ex-presidente negou ser proprietário do triplex e fez palanque para 2018, mostra pela primeira feita a sala em que são ouvidos os réus e as testemunhas do escândalo Petrobrás

Fausto Macedo, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Luiz Vassallo

11 de maio de 2017 | 16h14

A Justiça Federal liberou na manhã desta quinta-feira, 11, as filmagens da histórica audiência em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi interrogado pela primeira vez como réu da Operação Lava Jato, em Curitiba, pelo juiz federal Sérgio Moro.

Separados apenas pela mesa do juiz, que iniciou os processos do escândalo Petrobrás, na sala de audiências da 13ª Vara Federal, em Curitiba, Lula falou por cerca de 5 horas.

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhõesde corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do triplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá (SP), e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.

O ex-presidente Lula negou ser dono do tríplex, atribuiu o fato a um interesse da ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro, de adquirir o imóvel, que teria sido oferecido pessoalmente pelo ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, e aproveitou o interrogatório da Lava Jato para fazer palanque e anunciar que vai se candidatar à Presidência em 2018.

“Depois de tudo que tá acontecendo eu tô dizendo alto e bom som que vou querer ser candidato à Presidência da República outra vez.”

https://youtu.be/jdvpRCIVWXA

Cinema. É a primeira vez em três anos de Lava Jato que a Justiça faz uma gravação em vídeo das audiências do processo com uma visão geral da sala.

O registro histórico autorizado por Moro, como exceção para a audiência, em que ficou frente a frente pela primeira vez com Lula, foi uma solução dada por ele para o pedido da defesa do ex-presidente, que queria gravar com equipe própria o interrogatório.

A filmagem, em um outro plano de visão, mostra pela primeira vez como Moro interroga os réus e testemunhas da Lava Jato, que em três anos descobriu o maior esquema de corrupção do governo. Políticos da base, PT, PMDB e PP, em conluio com empresários teria desviado de 1% a 3% em contrato da Petrobrás, entre 2004 e 2014, gerando um rombo de mais de R$ 40 bilhões nos cofres públicos.

Moro está de gravata vermelha, que segundo ele, em evento na segunda-feira, 8, era “vermelho fraternidade”, quando usava a mesma cor e foi questionado se era uma provocação ao PT.

Ao seu lado direito sentam os procuradores da República, da força-tarefa da Lava Jato, Roberson Pozzobon, Julio Motta Noronha e Carlos Fernando dos Santos Lima.

Na mesa frontal estão com Lula, seus defensores Cristiano Zanin Martins, à esquerda do petista, Roberto Teixeira – o comprade de Lula – à frente, com Valeska Teixeira Martins ao lado. Na ponta da mesa está o assistente de acusação, em nome da Petrobrás, o jurista René Ariel Dotti.

Lula veste gravata com as cores da bandeira brasileira, verde, amarelo, azul e branco, e bebe água durante o longo interrogatório. Além de papeis sob a mesa, ele carrega um óculos.

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