A Lava Jato, detrás das câmeras

A Lava Jato, detrás das câmeras

Livro-reportagem do jornalista Vladimir Netto, com bastidores da maior operação contra a corrupção do País, será lançado nesta terça-feira, em Curitiba; obra teve os direitos comprados pelo cineasta José Padilha, que vai levar o escândalo Petrobrás para as telinhas em seriado do Netflix, previsto para 2017

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

20 Junho 2016 | 14h04

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Os bastidores da prisão do maior empreiteiro do País, Marcelo Bahia Odebrecht, a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as reações e os ataques de investigadores da maior investigação de combate à corrupção do País. Fatos inéditos que revelam o detrás das câmeras da fantástica Operação Lava Jato, estão no livro-reportagem Lava Jato – O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil (editora Sextante, selo Primeira Pessoa), do jornalista Vladimir Netto, da TV Globo, que será lançado oficialmente nesta terça-feira, 21, em Curitiba.

“Nós temos duas alternativas. Podemos, como se fez muito, varrer esses problemas para debaixo do tapete, esquecer que eles existem, continuar os nossos caminhos, ou podemos enfrentar esses problemas, com seriedade e da forma que eles devem ser enfrentados. A partir do momento em que não há um enfrentamento do problema, nós vamos encontrá-lo muito maior.” Essa e outras manifestações do juiz federal Sérgio Moro, titular dos processos da Lava Jato, em Curitiba, integram as 400 páginas do livro, que teve os direitos comprados pelo cineasta José Padilha.

A trama histórica, narrada em forma de thriller policial, vai virar seriado do Netflix, com previsão de lançamento para 2017. “O livro do Vladimir, além de narrar de forma empolgante uma incrível operação policial, é também um documento histórico de valor imprescindível para o país”, afirma Padilha.

Repórter do Jornal Nacional, Netto acompanha profissionalmente o escândalo Petrobrás desde seu início, em março de 2014, quando foi deflagrada a fase ostensiva Lava Jato, levando para a cadeia o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff. Primeiros delatores do caso, os dois personagens são dois dos personagens que ajudaram a construir a narrativa, produzida em pouco mais de um ano.

“Ao longo de 17 meses, de janeiro de 2015 a maio de 2016, me dediquei a reunir informações de bastidores, a pinçar os melhores diálogos, a perfilar os principais personagens para contar esta história. Perdi as contas de quantas entrevistas eu fiz, quantas mensagens mandei e recebi por vários aplicativos, quantas conversas tive e a quantos cafés, almoços e jantares compareci para tratar da Lava Jato”, revela Netto.

Nas páginas de Lava Jato é possível descobrir os personagens-chave do escândalo, como  doleiros, dirigentes da Petrobrás, políticos e empreiteiros, e como se montou uma sistemática de cartel e corrupção nos contratos públicos do governo federal, que desviou bilhões de reais do Erário.

Mais do que narrar a histórica Lava Jato, o autor escrutina a alma dos principais personagens do escândalo, como o juiz Sérgio Moro, estampado na capa da edição. Considerado o fio condutor da operação, o livro detalha os conhecimentos técnicos do magistrado, analisa suas perguntas durante as audiências e o conteúdo das sentenças e a coragem com que confronta os ataques.

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Lava Jato une o relato dos dois anos da  investigação, iniciada por um núcleo de doleiros que atuava em um posto de combustível de Brasília, até o momento em que abalou a República, com bastidores inéditos do caso. O episódio em que a presidente afastada Dilma Rousseff é flagrada conversando com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa suposta tentativa de evitar a prisão do petista, encerra o livro.

As entrevistas com fontes que integram a operação trazem para o livro-reportagem dados internos de como a força-tarefa da Lava Jato, criada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita, superou as dificuldades enfrentadas ao levar para cadeia políticos poderosos e empresários, como os donos das maiores empreiteiras do País.

“Comecei a trabalhar neste projeto no dia 1º de janeiro de 2015, depois de voltar da cobertura da posse da presidente reeleita Dilma Rousseff. Em casa, à noite, a primeira coisa que fiz foi ligar para algumas fontes. Sem elas, não seria possível ter chegado até aqui. Expliquei que teriam que me contar tudo o que acontecera desde o início da Operação Lava Jato, e também o que viesse pela frente. As fontes generosamente aceitaram. E isso fez toda a diferença.”

Com prefácio de Fernando Gabeira, o livro trata a Lava Jato como um patrimônio nacional e indica as transformações que o caso trará para a política brasileira. Episódio ainda inconcluso da história, Vladimir Netto buscou fazer um relato fiel dos fatos, sem juízo de valor, para registrar detalhes internos da investigação que pela primeira vez desferiu duro golpe contra os crimes do colarinho branco no Brasil.

“Não haverá o dia em que todo o roubo será evitado. Nenhuma operação acabará com a corrupção, mas a Lava Jato criou padrões que podem interromper a escalada de troca de favores, uso abusivo de recursos públicos, pagamento de propina transformado em sobrepreço nos contratos. Criou um novo consenso na sociedade brasileira: o de que é preciso sufocar a corrupção. Outros casos serão descobertos, mas o que se conseguiu foi diagnosticar um mal que estava levando o Estado brasileiro à metástase”, avalia Vladimir.

O autor. Vladimir Netto é repórter da TV Globo e vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Formado em jornalismo pela UFRJ, já passou pelas redações de Jornal do Brasil, Veja e O Globo. Nos últimos anos, recebeu prêmios, como o Embrapa de Reportagem, em 2008; o Rede Globo de Jornalismo, em 2009; o Rede Globo de Grande Furo de Reportagem, em 2012; o Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, em 2013; o de Furo de Reportagem, no Jornal Nacional, em 2013; e o de Melhor Reportagem no Bom Dia Brasil, em 2014. Em 2015, ganhou o prêmio de Melhor Reportagem do Jornal Hoje por ter revelado documentos de contas no exterior atribuí das a Eduardo Cunha e, em equipe, o de Grande Cobertura pelo noticiário sobre a Operação Lava Jato.

Filho dos jornalistas Marcelo Netto e Miriam Leitão, Vladimir nasceu em Caratinga, Minas Gerais, e hoje mora em Brasília com a esposa, Giselly Siqueira, e as duas filhas, Manuela e Isabel. “Eu sou a favor da democracia. E esse livro é uma forma de contribuir com isso. Meu nome é Vladimir por causa do Lênin, líder da Revolução Russa. Quando eu nasci, meus pais eram presos políticos, minha mãe foi torturada na cadeia, e ainda ficou mais noves meses encarcerada”, conta.

FICHALava Jato – O juiz Sergio Moro e os bastidores da operaça?o que abalou o Brasil, Vladimir Netto
Preço: R$39,90 / e-book: R$24,99
Páginas: 400
Formato: 16 x 23 cm

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