‘A Lava Jato atingiu a sua maturidade’, diz procurador da Lava Jato  

‘A Lava Jato atingiu a sua maturidade’, diz procurador da Lava Jato  

Athayde Ribeiro Costa, do Ministério Público Federal em Curitiba, afirma que Polícia Federal precisa ser 'fortalecida' e atribui 'diminuição do efetivo' ao ministro da Justiça

Julia Affonso e Fausto Macedo

27 de julho de 2017 | 16h59

Procurador Athayde Ribeiro Costa, da força-tarefa da Lava Jato. Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa, que integra a força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, disse nesta quinta-feira, 27, que a Polícia Federal precisa ser ‘fortalecida’ para dar continuidade às investigações sobre o maior escândalo de corrupção no País. Ele atribuiu ao ministro da Justiça Torquato Jardim medidas que levaram à ‘diminuição do efetivo’ da PF.

“O ministro anterior, Alexandre de Moraes, se comprometeu a fortalecer a Lava Jato. O atual ministro não fez movimento no mesmo sentido, sequer consultou a força-tarefa sobre o quanto de investigação tinha e o quanto de necessidade de efetivo havia”, disse Athayde, durante entrevista coletiva sobre a Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira, 27, que prendeu o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine, por suspeita de recebimento de propina de R$ 3 milhões da empreiteira Odebrecht.
“É importante pontuar que o Ministério Público Federal quer fortalecer a Polícia Federal”, insistiu o procurador. “É preciso que a polícia investigue e a diminuição do efetivo é uma responsabilidade do ministro da Justiça e da direção geral da Polícia Federal.”
Athayde argumentou que o antigo chefe da Justiça, Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, havia se comprometido com a Lava Jato. “Quando no cargo (de ministro da Justiça), Alexandre de Moraes visitou a força-tarefa em Curitiba e se comprometeu a fortalecer a Lava Jato.”

“A Lava Jato está no auge da sua maturidade e, para o Ministério Público está claro que ela é prioridade”, afirmou o procurador. “É assim com o dr. Rodrigo Janot (atual procurador-geral da República) e, certamente, o será com a dra. Raquel Dodge (futura chefe do Ministério Público Federal).”

Na mesma entrevista, o superintendente da Polícia Federal no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira, disse que não houve o fim da força-tarefa da Lava Jato’.

“Fizemos uma reestruturação, decisão puramente administrativa que colocou o grupo Lava Jato sob a estrutura da Delegacia de Combate à Corrupção e Desvios de Verbas Públicas”, declarou Rosalvo. “Em nenhum momento houve a extinção do grupo, pelo contrário, houve reestruturação e também não houve diminuição do efetivo.”

À tarde, o ministro Torquato Jardim, em entrevista coletiva, disse que as críticas do procurador são infundadas. Ele declarou que não fez nenhum gesto de crítica ou desapreço à Lava Jato.

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