À Justiça, Moro nega ter interferido em investigações contra hackers

À Justiça, Moro nega ter interferido em investigações contra hackers

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública afirma que recebia informações do andamento do caso pelo então diretor-geral da PF Maurício Valeixo, mas 'não sabia dos detalhes específicos' e nem teve acesso ao inquérito policial

Paulo Roberto Netto e Rayssa Motta

08 de julho de 2020 | 19h27

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, negou ter tido acesso ou interferido nas investigações da Operação Spoofing, que mirou grupo de hackers que invadiram celulares de quase mil pessoas, incluindo o próprio ex-juiz da Lava Jato e integrantes da força-tarefa em Curitiba.

À Justiça, Moro alegou que era informado apenas do andamento das investigações pelo então diretor-geral Maurício Valeixo. O motivo era porque o caso se tratava de ataque à segurança nacional, pois ministros de Estado e até o presidente Jair Bolsonaro foram alvos do ataque.

“Eu sou informado das investigações, é um passo natural. Eu nunca dirigi essas investigações. Eu não sabia sequer dos detalhes específicos e eu jamais conduziria ou daria determinações ao delegado para agir de uma forma ou de outra nas investigações”, disse Moro.

O ex-juiz teve o celular invadido em junho do ano passado. Segundo Moro, ele recebeu uma chamada do próprio número, que ignorou a princípio, mas atendeu na segunda vez que o número chamou. Em seguida, foi informado que havia ingressado no Telegram, aplicativo de mensagens semelhante ao WhatsApp, a qual afirma ter abandonado há três anos.

O então ministro da Justiça estava em seu gabinete quando a ação ocorreu – uma hora depois, a Polícia Federal já estava atuando no caso em uma espécie de ‘ação controlada’ para identificar o IP do hacker.

Durante o depoimento, Moro relatou que Valeixo lhe repassava ‘informações gerais’: “Como é que tá andamento, como é que tá indo, isso era normalmente informado. Se estavam avançando, se estavam conseguindo progredir, etc. Mas não tive acesso ao inquérito ou ficava examinando as provas e o que estavam verificando”.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Evaristo Sá / AFP

Moro foi ouvido como testemunha na ação penal perante a 10ª Vara Federal de Brasília que colocou seis pessoas no banco dos réus, incluindo Walter Delgatti Netto, o ‘Vermelho’. Segundo a Procuradoria, os hackers executavam crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos, como celulares, e lavagem de dinheiro.

‘Vermelho’ e Thiago Eliezer Martins Santos atuavam como supostos mentores e líderes do grupo enquanto Danilo Cristiano Marques era ‘testa-de-ferro’, proporcionando meios materiais para que os crimes fossem executados. Gustavo Henrique Elias Santos teria desenvolvido técnicas que permitiram a invasão do Telegram e perpetrava fraudes bancárias.

Já Suelen Oliveira, mulher de Gustavo, agia como laranja e ‘recrutava’ nomes para participarem das falcatruas. E, por fim, Luiz Molição invadia terminais informáticos, aconselhava Walter sobre condutas que deveriam ser adotadas.

O jornalista Glenn Greenwald, editor-fundador do site The Intercept Brasil, foi denunciado pela Procuradoria, mas o juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal do Distrito Federal, rejeitou os argumentos de que ele tivesse auxiliado no crime. O site publicou diversas reportagens conhecidas como ‘Vaza Jato’ a partir de mensagens de Telegram de membros da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, incluindo o líder dos procuradores, Deltan Dallagnol.

Tudo o que sabemos sobre:

Sérgio MoroHackerOperação Spoofing

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.