A Justiça brasileira e a próxima onda de transformação digital

A Justiça brasileira e a próxima onda de transformação digital

Marcos Florão*

20 Agosto 2017 | 05h00

Marcos Florão. FOTO: DIVULGAÇÃO

O grande desafio da Justiça brasileira, atualmente, é a gestão e solução para os mais de 102 milhões de processos que estão pendentes e tramitando em 90 tribunais do país, de acordo com o relatório Justiça em Números 2016, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os operadores do Direito se esforçam para resolver todos os casos, mas as demandas da sociedade são crescentes.

O acesso à Justiça, por meio do processo digital e da tecnologia, por exemplo, democratizou o Judiciário e trouxe mais transparência ao trabalho dos servidores e magistrados. Todavia, a sociedade segue clamando por respostas mais rápidas e assertivas.

Neste contexto, gestores e magistrados precisam, mais do que nunca, de aliados capazes de promover inovação na Justiça. A tecnologia, que há cerca de uma década gerou uma transformação no Judiciário brasileiro com o processo digital, agora promove uma nova onda de mudanças com a chegada da Computação Cognitiva na Justiça.

Inteligência Artificial, Computação Cognitiva, Machine Learning (aprendizado de máquina) são áreas da ciência que criam novas oportunidades ao Judiciário. Com a ajuda da Ciência de Dados, que proporciona uma imensa análise de informações relevantes, os magistrados podem fazer estudos de caso muito mais detalhados, consultar jurisprudências de forma rápida e tomar decisões mais assertivas.

A Computação Cognitiva permite que as máquinas aprendam sobre o dia a dia dos seres humanos e os auxiliem em suas atividades. Até recentemente, isso tudo parecia coisa de ficção científica: computadores que aprendem para melhorar o desempenho dos humanos. No entanto, isso já é realidade, e é importante que as soluções sejam pensadas olhando os desafios específicos de cada setor da Justiça. Dessa forma, é possível aplicar a Inteligência Artificial de forma mais assertiva para os operadores do Direito.

É importante lembrar que a Justiça, tradicionalmente, lida com grandes volumes de informação que só fazem crescer. Ao mesmo tempo, o serviço público tem restrições de orçamento para incremento de pessoal. Ainda temos a sociedade que cobra mais agilidade e transparência. Por isso, é importante trabalhar a inovação como uma saída para resolver estes desafios.

Com base nesse cenário, o assunto é tema da discussão central do Innovation Day Tribunais de Justiça. O evento, voltado para gestores das Cortes de todo o País, reunirá referências na área da Computação Cognitiva e da transformação digital, no dia 25 de agosto, no Sapiens Parque, o Vale do Sicílio brasileiro, em Florianópolis (SC). Serão apresentadas tendências para promover inovação e a próxima onda de transformação digital na Justiça. O evento é uma iniciativa conjunta, sendo que os Tribunais de Justiça de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Ceará e Alagoas são alguns dos nomes que estão à frente da organização do evento.

O momento é mais que propício à discussão. A Justiça brasileira precisa preparar-se para um novo salto, uma nova onda de transformação. É, portanto, necessário fortalecer as discussões para que os operadores do Direito estejam à frente desta mudança que tornará o Judiciário muito mais ágil, eficaz e transparente.

*Graduado em Ciências da Computação, com especialização em Sistemas Web e em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral. Atua na área de tecnologia há mais de vinte anos. É assessor de Inovação da Softplan, onde conduz os programas de inovação e empreendedorismo da Unidade de Negócios da Justiça

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