A jornada de evolução da gestão financeira: perspectivas e oportunidades

A jornada de evolução da gestão financeira: perspectivas e oportunidades

Pedro Bono*

10 de agosto de 2021 | 03h00

Pedro Bono. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando observamos o panorama da transformação digital no Brasil e a evolução do ecossistema tecnológico aplicado ao ambiente de negócios do país, não é difícil perceber que um dos tópicos mais discutidos na grande mídia e em cadernos especializados de inovação gira em torno das fintechs e de soluções voltadas para os diversos nichos do universo financeiro – dos processos relacionados à gestão financeira nas organizações à área de investimentos; do mercado de crédito às operações de cobrança.

Dentro deste cenário, quando fazemos um recorte no universo de startups, a profusão de negócios digitais é expressiva. Para ilustrar este ambiente, podemos citar, por exemplo, que em 2020, a aceleradora Distrito mapeou 742 startups, as quais foram divididas em 14 categorias e outras 21 subcategorias que abarcam um ecossistema dinâmico e plural de soluções que vão do backoffice operacional ao Open Banking.

Outro dado interessante envolve o fator investimentos: em 2020, as fintechs brasileiras movimentaram mais US$ 1,9 bilhão em 115 rodadas de investimento, de acordo com o Inside Fintech Report. O valor é memorável e supera, por sua vez, o recorde que havia sido batido em 2019, quando 1,1 bilhão foram captados pelas fintechs do país.

Inovação, gestão financeira e os primeiros passos

É interessante perceber, no entanto, que nem sempre as fintechs tiveram tal protagonismo no mercado brasileiro e, em se tratando de evolução tecnológica e transformação digital nas empresas, outras áreas como as de marketing, fiscal e departamentos comerciais, por exemplo, tiveram uma aproximação anterior aos processos de gestão financeira com a inovação.

Neste sentido, já no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, o mercado brasileiro começou a ter acesso – por meio de empresas nacionais e multinacionais – às plataformas voltadas para gestão de CRM, rotinas fiscais, business analytics e aos sistemas integrados de gestão empresarial (ERPs), que adotavam uma visão mais ampla e menos especializada dos processos de um negócio – apenas para citar alguns exemplos.

Em contrapartida, conforme ressalta O Guia Essencial das Fintechs, foi já na virada para a década de 2010, que soluções financeiras começaram a ganhar realmente força a nível global, a partir de uma conjuntura que envolveu a queda na confiança em instituições tradicionais após a quebra do Lehman Brothers e a busca por maior transparência e centralidade no cliente.

No Brasil, este movimento é ainda mais recente. Como efeito comparativo, se em 2020 a Distrito mapeou 742 novas tecnologias voltadas para a área financeira, em 2016 (portanto, quatro anos antes), este número era 82% menor, levando em conta um levantamento do ano respectivo realizado pela Fintechlab que identificou 130 soluções.

A transformação cultural

Diante de todo esse contexto, vale a pena ainda frisar que a transformação digital propicia, concomitantemente, uma transformação cultural profunda que beneficia empresas e a própria sociedade. Neste sentido, na esfera dos consumidores, todo o processo de evolução do sistema financeira permitiu a abertura para a oferta de serviços mais ágeis e inteligentes pautados na centralidade no cliente.

Já no âmbito empresarial, as novas tecnologias do mercado tornaram as empresas mais eficientes e permitiram, vale destacar, que PMEs tivessem acesso a recursos capazes de simplificar seus processos de gestão financeira, questão antes restrita as grandes organizações com alto potencial de investimentos em TI.

Por fim, a partir da consolidação do Open Banking e de ferramentas como o PIX, por exemplo, a expectativa é a que novas possibilidades se abram para pessoas e empresas dentro de uma jornada que, como vimos, apenas começou.

*Pedro Bono é CEO e cofundador na Receiv

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