A Inteligência Artificial vai substituir o capital humano na área de Recursos Humanos?

A Inteligência Artificial vai substituir o capital humano na área de Recursos Humanos?

Thaylan Toth*

17 de março de 2021 | 03h30

Thaylan Toth. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é de hoje que se fala sobre a possibilidade da Inteligência Artificial substituir o capital humano nas organizações e nos mais diversos tipos de trabalho. Alguns anos atrás, graças aos filmes e histórias de ficção científica, acreditava-se que robôs e máquinas ocupariam os lugares das pessoas no mercado de trabalho. Atualmente, nessa discussão, os robôs já não são mais tão mencionados, mas as IA ainda causam um certo desconforto em muitos profissionais.

Afinal, o que é IA? Segundo Kaplan e Haenlein, nada mais é do que “a capacidade de um sistema de interpretar corretamente os dados externos, de aprender com esses dados e de usar esses aprendizados para atingir objetivos e tarefas específicas por meio de adaptação flexível”.

Na ciência da computação, é definido como o estudo de “agentes inteligentes”, ou seja, qualquer dispositivo capaz de captar informações do ambiente e executar ações para cumprir determinados propósitos com sucesso. A grosso modo, o termo Inteligência Artificial é aplicado quando uma máquina imita funções cognitivas mais complexas, geralmente associadas à mente humana. Por exemplo, aprendizado e solução de problemas, otimização de processos e a capacidade de predição de características, habilidades e performance futuras.

Na área de Recursos Humanos, essa tecnologia veio para ficar e tem trazido ótimos resultados em processos de seleção de candidatos, eliminando vieses e oferecendo alternativas mais interessantes à triagem de currículos. Mas sobretudo, a IA está tornando o gerenciamento de funcionários muito mais dinâmico e inteligente, centralizando informações e agregando valor às análises.

Gestores têm ficado cada vez mais confortáveis com o uso dessas ferramentas, compreendendo que tais mudanças vêm para melhorar a sua coordenação e não para atrapalhá-la. Com a ajuda de diferentes ferramentas e softwares, o trabalho dos profissionais de RH e de Gestão de Pessoas tem se tornado cada vez mais estratégico e assertivo, com a interpretação dos dados e a criação de planos de ação.

No entanto, como toda tecnologia, a IA precisa ser utilizada com sabedoria e consciência. A máquina aprende com base nos dados que são fornecidos a ela. Logo, se são oferecidos dados ruins ou enviesados, ela irá replicar esse padrão. Se você tiver uma noção pouco precisa de quem são os funcionários com maiores índices de performance da empresa e utilizar essas suposições para que a máquina indique outras pessoas que performem bem, os resultados provavelmente não serão tão assertivos.

Outro perigo é a replicação de vieses. Caso sejam fornecidos os dados da faculdade frequentada pelos funcionários como uma forma de encontrar candidatos ideais em processos seletivos, você corre o risco de só encontrar pessoas formadas por um mesmo lugar, minando a diversidade da empresa.

É indispensável que atrás de toda máquina, ferramenta ou sistema tenha um ser humano com parâmetros de alta qualidade, assim, a tecnologia é utilizada como aliada para melhorar resultados. O olhar humano deve estar sempre presente para garantir a sensibilidade na escolha dos dados enviados para as máquinas e também dos resultados obtidos. Utilizando a tecnologia com responsabilidade, a tendência é humanizar mais ainda o processo, trazendo justiça e inclusão.

Diante dessa realidade, o profissional de RH precisa ter uma visão humanizada da força de trabalho, mas, ao mesmo tempo, saber utilizar os dados a seu favor. Competências analíticas serão cada vez mais exigidas e necessárias neste meio, uma vez que a tendência é que esse se ocupe cada vez menos com a operação e mais com a estratégia.

Dessa forma, é interessante que as empresas não apenas busquem profissionais com as habilidades analíticas mas que também capacitem os funcionários para que eles sejam capazes de utilizar essas tecnologias no trabalho, por meio de cursos de transformação digital, digitalização do trabalho, operação de sistemas e softwares, cursos básicos de dados e estatística, e tecnologia no geral. Assim, a IA se tornará ainda mais uma aliada dos Recursos Humanos, ao invés de uma ameaça.

*Thaylan Toth é CEO e fundador da Mindsight

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoInteligência Artificial

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.