A indústria pós-covid-19

A indústria pós-covid-19

Marcio Grazino*

09 de agosto de 2020 | 10h00

Está claro que o mundo mudou e nada mais será como antes. Na indústria não será diferente. Desenvolvimento, produção, distribuição e vendas já estão sendo adaptados para um ambiente em que colaboradores, fornecedores, clientes e a sociedade em geral têm novas exigências. Por mais perfeita que fosse a operação há três meses, hoje ela precisa ser aperfeiçoada.

O princípio básico da mudança é que por anos, talvez para sempre, o mundo vai funcionar com protocolos mais rígidos de higiene e de prevenção de transmissão de doenças, seja a Covid-19 ou outra qualquer. Do início ao fim da planta industrial, tudo tem que ser revisto com esse critério. Equipamentos e comportamentos devem estar alinhados com o propósito firme de preservar a saúde da equipe. Não é uma tarefa simples. É preciso coordenação de especialistas e vai dispender tempo e dinheiro. Não se trata de gasto, entretanto. É um investimento que vai manter os funcionários saudáveis, reter e atrair talentos e proteger a imagem da empresa.

As melhorias internas, é importante destacar, só vão dar resultado com uma intensa campanha de comunicação. A cultura empresarial deve ser ajustada aos novos tempos. Procedimentos e insumos adequados só funcionam com a adesão e o treinamento das pessoas. Sobretudo, todos devem estar convencidos de que o “novo normal” é importante e necessita de engajamento geral.

Marcio Grazino. Foto: Acervo pessoal

Essa é a parte nova, porque de certo modo, o setor industrial já experimentava mudanças relevantes antes da pandemia. A indústria 4.0, que estava sendo implantada com diversos graus de maturidade, é aderente em linhas gerais ao “novo normal”. A transformação digital, por exemplo, que é ponto central no “novo normal”, faz parte da espinha dorsal da indústria 4.0.

A digitalização do ambiente vai facilitar a implantação de processos mais inteligentes e tecnologia de ponta para oferecer mais eficiência e produtividade, além de mais qualidade no resultado final e assertividade no atendimento, que é a síntese do que a indústria estava buscado. Portanto, grande parte da adaptação necessária neste momento é apenas uma aceleração do que estava sendo realizado.

Aceleração, no entanto, que não pode parar. Aperfeiçoar a operação industrial não é mais uma opção. Agora é obrigação e quem não fizer não será parte do “novo normal”.

Além da produção, a indústria deve olhar para os relacionamentos. A interação com os fornecedores deve ser integrada aos novos procedimentos, sobretudo em relação às medidas preventivas. O ideal é fazer remotamente tudo o que puder ser feito. Reuniões presenciais, por exemplo, somente em último caso.

Atenção para a distribuição, porque a tendência é o volume de transporte de cargas, principalmente entrega de encomendas, se multiplicar, impulsionado pelas compras via internet. Com esse boom, o processo tende a ficar mais complexo e caro. A saída, também neste caso, é a tecnologia. A logística também tem a sua versão 4.0 e está bem adiantada na transformação digital. Atualize-se.

Por fim, o cliente será uma pessoa diferente depois disso tudo. Vai valorizar mais o dinheiro e estar mais atento ao custo-benefício nas compras. Avalie seu produto, compare com os concorrentes e verifique se vai continuar competitivo.

Em breve a emergência vai passar e a vida voltará ao normal. Mas será um normal diferente. Prepare-se.

*Marcio Grazino é empresário do setor de embalagens plásticas de proteção e diretor da Maximu’s Embalagens Especiais

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: