A importância dos Cetras e do compromisso municipal para a preservação de animais silvestres

A importância dos Cetras e do compromisso municipal para a preservação de animais silvestres

Mauro Bueno de Camargo*

13 de novembro de 2020 | 04h30

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Esforços coordenados de diferentes órgãos pela defesa do meio ambiente, da fauna e da flora perfazem o ecossistema da proteção ambiental no Brasil. A atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, o renomado IBAMA, órgão federal, é uma referência dessas iniciativas, promovendo ações de fiscalização, resgate de animais, combate a incêndios e orquestrando ações de órgãos de outros poderes em todo o território nacional. Neste cenário, na esfera estadual, outras instituições cumprem os papéis de planejamento e tomadas de ação regionais, traçando estratégias específicas de acordo com as demandas de cada bioma e desafios de preservação local. Os esforços municipais, por sua vez, também constituem importantes elos dessa cadeia e podem ser decisivos para sua efetividade.

Em todo o Estado de São Paulo o comprometimento das prefeituras com o meio ambiente é bastante variado. Secretarias ambientais muitas vezes resumem suas atividades ao tratamento de água e esgoto, não contemplando iniciativas necessárias às inúmeras demandas da preservação de fato. No que diz respeito às iniciativas de proteção à animais silvestres, no entanto, os esforços dessas esferas são ainda mais esparsos. Dentre os 645 municípios paulistas, apenas dois ou três (um deles ainda em instalação) possuem iniciativas voltadas à reabilitação e reintegração desses animais à natureza.

O número de apreensões, doações voluntárias e animais resgatados em acidentes, no entanto, somente cresce e essa omissão acaba recaindo muitas vezes sobre iniciativas privadas e de mantenedores individuais, ainda insuficientes diante da crescente demanda e poucos recursos. Deste modo, o apoio das prefeituras a essas iniciativas pode ser decisivo para que elas possam oferecer ainda mais suporte à causa. Destaque nacional com elevados índices de IDH, municípios como a cidade de Indaiatuba começam a desenvolver políticas nesse sentido, firmando compromissos que devem servir de exemplo a outros municípios, mas ainda há muito a se fazer.

O processo de desenvolvimento dessas iniciativas é árduo, bastante moroso e depende inteiramente da coordenação com órgãos estaduais e federais, para construírem centros com caráter efetivo e que possam atuar com a energia e transparência necessárias para a causa. Os serviços de fiscalização, realizados pelos órgãos ambientais, já acontecem de maneira bastante eficiente, resultando em grandes apreensões e coibindo cada vez mais o tráfico de animais. O passo seguinte, contudo, ainda é incipiente, diante da falta de locais para receber esse grande fluxo e cuidar adequadamente para que possam ser reinseridos na natureza. Este desafio é o próximo passo necessário para garantir o futuro da nossa fauna.

*Mauro Bueno de Camargo, gestor ambiental, idealizador e mantenedor do Santuário Asas em Liberdade. Atua há mais de 10 anos com iniciativas de educação para o meio ambiente e proteção de animais silvestres no interior de São Paulo

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