A importância de nos mantermos abertos

A importância de nos mantermos abertos

Mauricio Romiti*

17 de abril de 2021 | 06h00

Mauricio Romiti. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com a recente reclassificação do Estado de São Paulo para a fase laranja do Plano São Paulo, torna-se possível retomar a abertura de shopping centers, comércios e restaurantes. A nova fase, que começa no dia 18 de abril, será de transição entre as fases vermelha e laranja. Esse movimento representa um alívio, especialmente para os lojistas e pequenos comerciantes. Em meio ao cenário crítico da pandemia – que exige de todos nós sensibilidade com as vítimas e comprometimento extremo com todas normas de segurança – há também uma quantidade enorme de empregos em jogo. Pessoas que, sem o salário no final do mês, não vão ter como garantir o sustento de suas famílias.

As consequências da reabertura vão além de levar uma sensação, por menor que seja, de normalidade para os cidadãos. Ela significa essencialmente que existe uma possibilidade de retomada econômica, e que o prejuízo do último ano tem chance de ser revertido por ventos de real prosperidade.

Ao analisar especificamente o setor de shopping centers, vimos um grande empenho dos estabelecimentos tanto em seguir rigidamente os protocolos de higiene quanto em exigi-los dos colaboradores e clientes. Essas questões foram levadas em conta com a seriedade necessária: controle de entrada e lotação, aplicação de álcool em gel, medição de temperatura, uso de máscaras, distanciamento social e fiscalização de colaboradores e clientes que eventualmente descumprissem tais obrigações.

As consequências do fechamento, tanto total como parcial, foram profundas e deixaram feridas no setor varejista. Um passeio pelas ruas de São Paulo, antes vibrante e vivo, agora mostra placas de “vende-se” e “aluga-se”. O abre e fecha que ocorreu ao longo do último ano foi a gota d’água para grande parte dos comerciantes, que depositaram suas últimas energias na esperança de que as reaberturas fossem permanentes. Semanas depois, depararam-se com um novo fechamento, agora em uma situação sem caixa para manter seus negócios abertos, os empregos ativos, ou, em pior caso, honrar com rescisões de forma justa.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os 601 shoppings do Brasil geram 998 milhões de empregos; em 2020, o prejuízo do mês de março foi 90% maior do que o do mesmo período em 2019, e a taxa de vacância praticamente dobrou em dezembro do ano passado (9,3%, em relação aos 4,7% de dezembro de 2019).

Dessa forma, existem dois aspectos principais sobre a importância da retomada do setor de shopping centers. O primeiro é a sustentabilidade da economia como um todo, que sofre profundamente nessa crise e terá consequências negativas a longo prazo; o segundo é a manutenção de milhares de empregos e sustento de famílias, que correm grande risco de desalento.

Com a possibilidade de reabertura, os shopping centers continuarão seguindo as medidas necessárias de distanciamento social, higienização e aplicando um rígido controle e fiscalização. Dessa forma, o setor poderá retomar e manter suas atividades, voltar a fazer parte das comunidades em que os shoppings estão inseridos e contribuir para a manutenção e geração de empregos em diversas cidades brasileiras.

*Mauricio Romiti é diretor financeiro e administrativo da Nassau Empreendimentos

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