A importância da refrigeração adequada no acondicionamento das vacinas contra a covid-19

Oswaldo Bueno*

13 de janeiro de 2021 | 03h45

Cada tipo de vacina que está liberada ou em testes para a covid-19 necessita de um tipo de refrigeração para manter-se intacta e ideal para a imunização da população. Essa é uma característica essencial para manter a saúde e a garantia de sucesso da prevenção “imunobiológica”.

As características dos equipamentos dependem da temperatura a ser mantida para a conservação de cada vacina. Em outras palavras, algumas precisam de câmaras refrigeradas, outras de congeladores utilizados para o armazenamento em caso de vacinas em temperatura negativa, além de placas eutéticas, que são constituídas por duas chapas de aço inoxidável soldadas entre si mediante rolo por resistência; no interior da placa, é colocada uma serpentina de aço que funciona como evaporador do circuito frigorífico e permite o congelamento da solução eutética.

Além disso, há vacinas que precisam de câmaras frigoríficas positivas (de 2 ºC a 8 ºC) e negativas (de -25 ºC a -15 ºC) – equipamentos de infraestrutura utilizados nas instâncias que armazenam maiores quantidades de imunobiológicos e por períodos mais prolongados. E condicionadores de ar e equipamentos de infraestrutura para climatização de ambientes. Até grupo gerador de energia aplicado às situações emergenciais para suprimento de energia elétrica.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) recomenda, ainda, a utilização de instrumentos que coletam continuamente as temperaturas máximas e mínimas registradas nos equipamentos durante determinado período (registro da temperatura ao longo de todo o processo).

As principais diferenças no projeto do equipamento de refrigeração em função do diferencial de pressão – taxa de compressão – e temperatura do ambiente são:

1) ar-condicionado: de +20 ºC a +30 ºC e processos industriais de +10 ºC a +30 ºC;

2) resfriados: -10 ºC a +10 ºC;

3) congelados: -35 ºC a -10 ºC;

4) refrigeração industrial: -70 ºC a -30 ºC;

5) temperatura ultrabaixa: -100 ºC a -50 ºC;

6) criogenia: abaixo de -100 ºC.

Das vacinas para a covid-19, a que mais necessita de temperatura baixa é a da Pfizer e Biontech, dos Estados Unidos e Alemanha, com um armazenamento de -70 ºC. Todas as outras variam entre +5 ºC e -20 ºC.

A má refrigeração das vacinas acarreta enorme risco de tornar as substâncias inativas e, consequentemente, sem efeitos. É importante salientar, ainda, que a refrigeração inicial será feita no laboratório de produção em condições controladas de tempo e temperatura, para as diferentes etapas de armazenagem, transporte, distribuição e consumo da cadeia do frio. Os medicamentos termolábeis exigem cuidado redobrado com o monitoramento da temperatura ao longo de todo o processo. Deve seguir uma série de normas e regras de boas práticas para garantir a integridade física dos materiais e as características farmacológicas desses produtos, mantendo sua eficácia.

Os cuidados necessários na hora de refrigerar a vacina, basicamente, são o correto isolamento térmico, o conhecimento do tempo de manutenção da temperatura em cada uma das etapas do processo, confirmado pelo registro da temperatura ao longo do tempo, e a embalagem não danificada.

É importante considerar que, com temperaturas muito baixas, como entre -20 ºC e -70 ºC, o efeito da umidade do ar irá se depositar nas aletas do evaporador, obrigando a sucessivos ciclos de degelo.

*Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor técnico da Abrava

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