A importância da psicologia escolar em contextos educacionais

A importância da psicologia escolar em contextos educacionais

Helena Mendes Galvão e Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça*

21 de setembro de 2020 | 15h25

Helena Mendes Galvão e Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça. FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Contextos educacionais são uma grande parte da vida de crianças e adolescentes, e por isso as experiências vividas neles são únicas, fortes e marcantes. Para que tais experiências sejam produtivas e prazerosas é necessário que profissionais de diversas áreas atuem colaborativamente em prol do sucesso escolar dos indivíduos.  A/O Psicóloga/o Escolar é uma/um dessas/desses profissionais que, por sua vez, pratica um olhar cuidadoso e uma escuta especializada em processos de ensino aprendizagem e desenvolvimento.

Os papéis desempenhados tradicionalmente pela Psicologia Escolar ainda são muito limitados, atendendo alunos individualmente e tendo como foco os “problemas” encaminhados por professores. Atualmente, busca-se uma atuação mais abrangente que seja não só preventiva, mas também que promova o sucesso escolar. Sendo assim, práticas possíveis são: lidar diligentemente com temas complexos, desenvolver estratégias pedagógicas, oferecer desenvolvimento profissional acerca dos processos de ensino aprendizagem e desenvolvimento, promover campanhas educativas, dentre outras. Note que nenhuma dessas ações é solitária, ou seja, é preciso envolver outros atores do contexto escolar, principalmente professores e alunos, mas também pais, responsáveis, gestores, profissionais de limpeza e segurança, funcionários administrativos etc.

A garantia da inclusão escolar é um papel da psicóloga que merece ser destacado. A escola deve ser um ambiente acolhedor para os alunos, independentemente de características, necessidades e ritmos de aprendizagem distintos. É preciso mostrar aos profissionais da educação a importância da escola no desenvolvimento dos alunos. Principalmente os professores devem ter consciência do processo de formação da subjetividade e da individualidade de todos os estudantes, bem como do impacto que as experiências escolares podem ter em sua constituição física e mental.  Sendo assim, a inclusão escolar é um direito de todos e todas.

Cabe à/ao psicóloga/o escolar, ainda, construir, com o apoio da comunidade escolar, uma rede colaborativa dentro e fora da escola. Como já mencionado, sem o apoio de toda a instituição, a psicologia escolar fica limitada a ações pontuais e que não reverberam. É necessário que os demais atores educacionais, por meio de formação continuada, palestras, oficinas, workshops etc., conheçam o trabalho oferecido pela especialidade, bem como possam acessá-lo para construir ações em conjunto. Além disso, a/o psicóloga/o escolar pode encaminhar o discente para atendimento nos serviços sociais e de saúde competentes quando julgar necessário. É possível, também, que a/o psicóloga/o escolar seja acessada/o por médicos, terapeutas ocupacionais, professores, tutores, psicopedagogos e fonoaudiólogos em busca de uma atuação colaborativa visando o bem-estar do aluno.

A práxis da Psicologia Escolar tem se desenvolvido e reconstruído na medida em que o sistema educacional como um todo também sofre profundas alterações. Independente dos rumos a serem tomados a seguir, sabe-se que a/o psicóloga/o escolar é peça fundamental para que os contextos educacionais desenvolvam ações com vistas ao sucesso escolar. Porque uma escola de sucesso é o resultado do sucesso de seus alunos e da valorização dos profissionais da educação.

*Helena Mendes Galvão e Patrícia Villa da Costa Ferreira Mendonça são psicólogas escolares da Casa Thomas Jefferson

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