A importância da atenção à saúde mental feminina

Camilla Bastos*

07 de março de 2021 | 05h15

A chegada das redes sociais trouxe diversos benefícios para a nossa sociedade. Desde o surgimento de um novo ambiente de interação até a instauração de mais um importante espaço para o impulssionamento de carreiras, empresas, organizações e negócios. As vantagens destas ferramentas tecnológicas são infinitas. No entanto, elas também estimularam o estabelecimento de padrões estéticos e de vida irreais e inalcançáveis para a maioria das pessoas.

A ostentação e culto de corpos esguios, rígidos e ditos ‘perfeitos’ nas redes sociais, vem causando efeitos nocivos, principalmente, nas mulheres, que constantemente são cobradas e pressionadas a se adequar a esse modelo de beleza.

Uma grande parcela das mulheres não consegue, ou mesmo, não quer se encaixar nestes padrões. E isso deveria ser respeitado, mas não é o que acontece. As que não se enquadram são julgadas e em alguns casos até atacadas virtualmente. As consequências mais evidentes dessa padronização é o aumento da ansiedade, depressão, distúrbios alimentares e de imagem entre a população feminina e a elevação da demanda por intervenções estéticas e cirúrgicas. Essa é uma realidade bastante preocupante, pois demonstra o quanto a busca pelo corpo ideal tem afetado a saúde mental das mulheres e incentivado comportamentos obsessivos e imprudentes.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil se tornou o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, chegando à marca de 1,4 milhões em 2018. Entre as intervenções mais procuradas estão o aumento mamário com prótese de silicone e a lipoaspiração. É preciso ressaltar que grande parte desse público é composto por mulheres. Muitas delas veem a cirurgia plástica como um dos caminhos mais efetivos para elevar a autoestima e obter boa aceitação no meio social. No entanto, não é somente este tipo de mercado que está se beneficiando da procura feminina pelo corpo perfeito. Hoje, o crescimento da indústria de cosméticos e beleza, das academias e clínicas de estética é fortemente pautado pelo nosso consumo.

Nesta corrida pela perfeição, muitas mulheres criam expectativas de que só encontrarão a felicidade ao atingir determinado grau de beleza ou status. E com isso, criam metas absurdas e que não estão de acordo com sua estrutura corporal ou estilo de vida.

Hoje, ao mesmo em que nos deparamos com mulheres empenhadas em se adequar ao conceito de beleza altamente exaltado nas redes sociais, também é possível encontrar diversos outros exemplos de personalidades femininas que assumem suas medidas, aceitam suas imperfeições e amam os seus corpos como eles são. Para atingir esse nível de aceitação não é fácil, mas é possível. Acho que o primeiro passo é o autoconhecimento, que fará com que a mulher enxergue suas qualidades, reconheça suas limitações e valorize suas características mais marcantes. Outros importantes componentes para essa mudança é o autoamor e o autorrespeito. É um processo longo e nem sempre indolor, mas com certeza será muito gratificante. Nada é tão prazeroso quanto se sentir bem, seguro e confortável com o próprio corpo.

*Camilla Bastos, gerente de marketing da operadora de planos de saúde You Saúde

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