A. Gutierrez pagou R$ 30 milhões a políticos para ‘matar’ CPI do Cachoeira, diz lobista

A. Gutierrez pagou R$ 30 milhões a políticos para ‘matar’ CPI do Cachoeira, diz lobista

Adir Assad, preso sob acusação de lavar dinheiro de grandes empreiteiras, declarou à Justiça que parlamentares demonstravam 'tranquilidade' no dia em que foi depor na Comissão de Inquérito

Constança Rezende

09 Agosto 2017 | 15h26

9/3/2016 – Adir Assad (com microfone) fala à CPI dos Fundos de Pensão. Foto: Lúcio Bernardo Júnior/Câmara dos Deputados

O empresário e lobista Adir Assad disse nesta quarta-feira, 9, que a empreiteira Andrade Gutierrez repassou R$ 30 milhões a políticos para ‘matar’ a CPI de Carlinhos Cachoeira. Em depoimento à 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, ele disse que o pagamento da propina foi revelado para ele pelo ex-executivo da empresa, Flavio Barra.

“Este dinheiro foi só o da Andrade. Mas devem ter passado o chapéu também para outras empresas”, disse Assad, que foi preso por abrir empresas de fachada para lavar dinheiro para empreiteiras.

Executivos da Andrade Gutierrez fecharam acordo de delação premiada na Operação Lava Jato e revelaram a prática de ilícitos.

O empresário também relatou a tranquilidade dos parlamentares no dia do seu depoimento à CPI, depois de repassada a propina. “Parecia que eu fui lá fazer uma palestra. Os parlamentares com a cabeça baixa, mexendo no celular. Uma tranquilidade”, contou.

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Ele disse também que Cachoeira era ” seu concorrente”, mas que só foi conhecê-lo em Bangu 8 – presídio de nível superior no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

O repasse dos R$ 30 milhões para abafar a CPI foi confirmada pelo irmão de Adir, Samir Assad, que também prestou depoimento nesta quarta.

Questionado pelo juiz Marcelo Bretas como conseguia sacar altas quantias de dinheiro em caixas de banco para movimentar os pagamentos das propinas, Adir disse que ‘nunca pagou dinheiro ilícito para corromper os funcionários, mas que havia um trabalho de sedução com os gerentes’.

“Nós comprávamos seguros no banco, fechávamos consórcios, oferecíamos para os gerentes ingressos de shows, eventos..”, relatou o empresário, que era dono de uma produtora de eventos que produziu shows internacionais no Brasil como os da banda U2, a cantora Beyoncé e Shakira.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

“A Andrade Gutierrez informa que segue colaborando com as investigações em curso dentro do acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado. Além disso, a empresa afirma ainda que continuará realizando auditorias internas no intuito de esclarecer fatos que possam ser do interesse da Justiça e dos órgãos competentes. A Andrade Gutierrez afirma ainda que acredita ser esse o melhor caminho para a construção de uma relação cada vez mais transparente entre os setores público e privado.”

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