A força da comunicação empática em tempos de pandemia

A força da comunicação empática em tempos de pandemia

Marie Bendelac Ururahy*

20 de junho de 2020 | 03h00

Marie Bendelac Ururahy. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em um cenário de grande instabilidade e apreensão, a empatia ganha importância cada vez maior nas relações humanas – sobretudo na compreensão do próximo. Ela tem sido fundamental nas empresas para formar uma nova geração de líderes, capazes de gerar confiança no ambiente de trabalho, estimulando o engajamento e a produtividade das equipes. E na vida pessoal, uma ferramenta poderosa de transformação para fortalecer laços afetivos e buscar relacionamentos saudáveis. Nestes tempos de pandemia, a escuta empática faz toda a diferença do mundo.

O conceito tem sua história ligada à Filosofia e à Psicologia, destacando-se a partir do final do século XIX e início do século XX. O termo deriva da palavra grega empatheia, que significa paixão. O filósofo alemão Theodor Lipps foi o primeiro autor a relacionar o conceito de empatia a uma categoria sociológica e psicológica. Segundo ele, trata-se de uma “referência básica para reconhecer a própria condição de criatura consciente”.

Já o psicólogo canadense Paul Bloom enfatizou que o impulso da empatia é irresistível. A denominação oficial surgiu em 1909, quando a palavra alemã Einfühlung foi traduzida para o inglês como empathy. Historicamente, outro autor foi importante para a afirmação do conceito de empatia: Adam Smith, o pai da economia moderna. Embora não tenha usado o termo “empatia”, definiu-o com perfeição como sendo a capacidade de imaginar-se ou de colocar-se no lugar do outro.

Em linhas gerais, empatia é a capacidade de entender emocionalmente outra pessoa. Significa colocar-se no lugar dela para sentir suas dores e ter a correta percepção do que está sentindo em determinada situação. Para isso, é preciso abrir a mente e entrar em contato com necessidades e sentimentos que não são os seus.

A demonstração de empatia ocorre quando nos mostramos sensíveis a alguém e aprendemos a escutar da forma mais verdadeira possível, sem preconceitos ou julgamentos. Um componente fundamental desse processo é a compaixão, que nos aproxima e nos conecta com nós mesmos e com o próximo. Essa capacidade de ouvir e entender o outro permite harmonizar as relações e tomar decisões adequadas. Empatia é, sobretudo, um agente poderoso de mudanças para algo melhor.

Existem três tipos de empatia. A cognitiva significa saber como a outra pessoa enxerga o mundo à sua volta, o que ela provavelmente está pensando. Os líderes utilizam essa técnica para motivar sua equipe para que ela tenha os melhores resultados e esteja sempre engajada. Quando você se comunica com uma determinada pessoa você utiliza termos diferentes ou palavras especificas, pode ser um sinal de que você está exercitado a sua Empatia Cognitiva.  Um exemplo comum é quando você interage por muito tempo com pessoas de outro estado e acaba absorvendo o sotaque local.

O segundo tipo é a Empatia Emocional, que é a habilidade de sentir o que o outro sente. Em alguns casos, assumimos até as dores físicas do próximo, incorporando os seus sentimentos e modelos mentais.  O último tipo de empatia é a Compassiva. Nela, além de entendermos as condições de pensamento e sentimento do outro, nós somos espontaneamente motivados a ajudar o outro quando necessário.

A empatia está profundamente ligada ao autoconhecimento. É preciso conectar-se consigo mesmo para compreender melhor as emoções e os sentimentos de outras pessoas. Ela também é associada à Comunicação Não-Violenta (CNV), linguagem desenvolvida nos anos 1960 pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg.  A CNV é de grande utilidade nos processos de mediação de conflitos, seja nas relações pessoais e familiares como nas profissionais. Por meio dela, é possível aproximar as partes, identificando pontos escondidos por trás de reclamações e descontentamentos.

Os benefícios da empatia e da CNV são múltiplos. A educação dos filhos é um bom exemplo. À medida que crescem, as crianças ampliam o círculo social e experimentam interações que favorecem a aquisição da empatia e de habilidades socioemocionais importantes para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Nas relações pessoais, fortalece os laços afetivos e familiares. Nas empresas, gera confiança e engajamento dos colaboradores, resultando em níveis mais altos de produtividade.

Dessa forma, a empatia abre caminho para transformações de grande valia no mundo atual. Ela traz conexão pelo entendimento da perspectiva do outro.  Evita o julgamento, reconhece a emoção e interage com ela. O cultivo dessa habilidade fortalece a confiança entre as pessoas. Confiantes, elas conseguem formar laços pautados pelo respeito à verdade do outro, favorecendo a perenidade das relações. Quanto mais é praticada, mais seus efeitos positivos multiplicam-se sobre as diferentes áreas da vida. Um ciclo de ganha-ganha.

*Marie Bendelac Ururahy, especialista em CNV e empatia, sócia-fundadora da Be Coaching

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.