A ‘fofoca’ e o ‘trabalho regular da PF’, segundo Moro

A ‘fofoca’ e o ‘trabalho regular da PF’, segundo Moro

Em nota, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública procura esclarecer e rebater Bolsonaro sobre diálogo que tiveram nos dias 22 e 23 de abril pelo WhatsApp, na véspera de sua renúncia

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

05 de maio de 2020 | 21h51

O ex-ministro Sérgio Moro divulgou nota na noite desta terça, 5, para rebater mensagem apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro na porta do Palácio do Alvorada, no fim da tarde. Nela, Moro classifica como ‘fofoca’ notícia divulgada pelo portal O Antagonista sobre inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) mirar deputados bolsonaristas aliados do Planalto.

> LEIA A ÍNTEGRA DO DEPOIMENTO DE SÉRGIO MORO À POLÍCIA FEDERAL

“Isso eh fofoca. Tem um DPF (delegado da Polícia Federal) atuando por requisição no inquérito da fake news e que foi requisitado pelo Min Alexandre (ministro Alexandre de Mores, do STF)”, diz a primeira mensagem. “Não tem como negar o atendimento ah requisição”, completou Moro.

Segundo o presidente, a mensagem confirmaria que então ministro tinha informações privilegiadas sobre o caso. “O Moro diz que isso é fofoca porque ele tem informações privilegiadas. Ele diz que esse inquérito que existe no Supremo não tem nome de deputado federal nenhum”, afirmou Bolsonaro.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Adriano Machado / Reuters

Em nota, Moro afirma que sua declaração buscava ‘minimizar’ o fato de inquérito mirar aliados do presidente, ‘ciente da intenção’ de Bolsonaro em trocar o comando da PF.

“A ‘fofoca’ empregada na resposta à primeira mensagem tem esse sentido, de que a PF nada fazia além de seu trabalho regular”, disse Moro. “Já em relação à segunda mensagem do Presidente, não consegui responder à afirmação dele de que a existência deste inquérito seria ‘mais um motivo para a troca na PF'”.

Moro disse que cabe, ‘respeitosamente’, a Bolsonaro explicar como o inquérito se relacionaria com a necessidade de substituição do comando da PF.

“Esclareço que a presente nota foi produzida apenas porque o próprio Presidente trouxe esse debate a público na data de hoje”, concluiu o ex-ministro.

LEIA A NOTA DE SÉRGIO MORO CONTRA BOLSONARO:

Nota em relação à divulgação de nova mensagem de texto pelo Presidente da República sobre inquérito no STF, envolvendo deputados bolsonaristas: O Presidente me enviou, nos dias 22 e 23 de abril, o mesmo link do site Antagonista com o título “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas”.

Nas duas vezes, ciente da intenção do Presidente de substituir o Diretor Geral da PF, busquei minimizar o fato, afirmando que quem conduzia o Inquérito era o Ministro Alexandre de Moraes e que a PF só cumpria ordens. A “fofoca” empregada na resposta à primeira mensagem tem esse sentido, de que a PF nada fazia além de seu trabalho regular.

Já em relação à segunda mensagem do Presidente, não consegui responder à afirmação dele de que a existência deste inquérito seria “mais um motivo para troca na PF”.

Entendo, respeitosamente, que cabe ao Presidente da República explicar como o inquérito se relacionaria com a substituição do Diretor-Geral da PF. Esclareço que a presente nota foi produzida apenas porque o próprio Presidente trouxe esse debate a público na data de hoje.
Curitiba, 05/05/2020,
Sérgio Fernando Moro

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