A família não é o problema!

A família não é o problema!

Damares Alves*

29 de abril de 2020 | 21h10

Ministra Damares Alves. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O tempo atual tem apresentado muitas novidades para a geração dos nascidos na década de 80 e, certamente, novidades ainda mais extremas para aqueles nascidos nas décadas seguintes, como os seus filhos. Vive-se um momento de reclusão domiciliar, distanciamento social e medo do outro, que não sabemos estar infectado.

A geração dos anos 80, de forma geral, nunca presenciou um tempo de restrição como esse e nem esperava viver, já que há 3 semanas se faziam planos de férias ou de como seriam as celebrações religiosas (como é o caso da Semana Santa por exemplo).

Agora, vê-se a vida andando lentamente pela janela das casas, fazendo apenas saídas necessárias e rápidas, obrigando todos a uma série de cuidados com a higienização de roupas e do corpo.

Estar em casa adquiriu um significado totalmente novo, diferente de poucos dias atrás. Agora dentro de casa está nosso descanso, entretenimento e profissão (para grande parte das pessoas, pelo menos). Diante dessa realidade, pode-se ter um novo olhar para as famílias, que atualmente são tão atacadas por algumas ideologias minoritárias e barulhentas. Estar em família tornou-se um alento agradável e prazeroso, local em que é possível dividir não só as alegrias, mas dificuldades e obrigações.

É verdade que muitos afirmam, com razão, que a violência doméstica tem sofrido um aumento significativo em tempos de isolamento social, mas também é verdade que esses casos nem de longe representam a maioria dos lares brasileiros, como se faz parecer.

O disque 100, principal canal de denúncias do governo federal, recebeu em todo o ano de 2018 quase 94.000 denúncias contra violação de direitos de idosos, mulheres, crianças e adolescentes. Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 145 mil casos de violência contra a mulher em 2018 e 70% desses casos correspondem a violência doméstica. São números realmente altos e que demandam atenção por parte das diversas esferas governamentais, mas quando olhamos para todas as famílias do Brasil, esse número não representa a maioria dos lares. O IBGE estima que em 2019 existiam 69 milhões de famílias, ou seja, os lares em que ocorrem violência estão longe de ser maioria.

A verdade é que a maioria dos lares brasileiros são formados por cidadãos que nesse momento encontram em suas famílias o ponto de apoio que em nenhum outro local poderia ser encontrado. Como diz Giancarlo Petrini: “Somente na família a pessoa é acolhida na sua totalidade e não em alguma sua parte, como acontece em todas as outras relações sociais” (Significado social da família, 2009. p. 112).

Aqueles que atacam a família e desejam destruí-la se aproveitando de um momento delicado da história mundial almejam apenas o colapso da sociedade, querendo que a mão pesada do governo chegue onde não deve, no íntimo da família.

A família é um recurso sem o qual a sociedade entraria em colapso, caso fosse obrigada a assumir tarefas que, via de regra, são realizadas por ela de forma melhor e a menor custo. Através da proteção, da promoção, do acolhimento, da integração e das respostas que oferece às necessidades de seus membros, a família favorece o desenvolvimento da sociedade. (PETRINI, Giancarlo. Significado social da família, 2009. p. 116)

A família não pode ser responsabilizada pelo clima de violência que preocupa nosso país, atribuindo a ela os problemas e vícios públicos e privados. Ao contrário, é na família que “a pessoa faz a experiência realística e benéfica de uma dependência que o gera, de uma pertença que lhe possibilita tornar-se protagonista” (SCOLA, Angelo. L’esperienza elemenntare. La vena profonda del magistero di Giovanni Poli II. Milano: Marietti, 2003. p. 36).

Mais do que em qualquer outro momento, o cenário atual nos obriga a ter um olhar de forma especial para a família. Em primeiro lugar, porque é o local onde a esmagadora maioria encontra apoio e sem a qual estariam desvalidos. Em segundo lugar, porque o bem social que ela gera é pesado demais para qualquer outra instituição promover de forma gratuita, como é próprio da família fazer.

*Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

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