A falta que a Educação faz

A falta que a Educação faz

Esther Cristina Pereira*

30 de março de 2021 | 09h45

Esther Cristina Pereira. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Que nossos olhos possam voltar a brilhar como os de uma criança. A duras penas, nós, adultos, temos conseguido manter alguma positividade. Mas já se passou um ano desde o início da pandemia do novo coronavírus e praticamente nada mudou.

Lá se vão 365 dias. As desculpas ainda são as mesmas e parece que o Poder Público não fez a lição de casa como deveria. A saúde não foi estruturada, e o que vemos hoje é exatamente o reflexo disso tudo. Mas a população também tem sua parcela de culpa. Viver como se não houvesse amanhã pode propiciar exatamente isso.

Observamos a falta da Educação em todos os sentidos. Na falta de lógica dos governantes, que foram incapazes de se organizar para enfrentar o problema de frente e perceber que não há discurso político que possa ser mais eficiente do que o exemplo.

Vimos, também, a falta de empatia e do senso de responsabilidade da sociedade que se aglomerou e segue aglomerando. Por reflexo, aglomeram-se nos hospitais de todo o país e nos chocam pelas telas de celulares e nas redes sociais, que se tornaram um gigantesco obituário para 300 mil famílias, amores, histórias e sonhos.

Apesar desse cenário catastrófico, infelizmente, parece que não temos, ou quiçá nunca tivemos, o reflexo natural de enlutar a nação, compreender o momento e racionalizar uma solução. Possivelmente, temos aí mais um reflexo da ausência da Educação na vida dos brasileiros.

Realmente, o que vemos em nossa sociedade em geral é a pura falta da Educação. Mas se nós, que somos adultos, estamos agindo assim, o que falar das crianças? Tivemos o tempo certo para aprender, e o tempo delas, simplesmente, está sendo relegado por nós.

Assim como há o tempo certo para engatinhar, os anos iniciais escolares são responsáveis por uma série de aspectos importantes e cruciais, como a empatia, que é desenvolvida pelo exemplo e pela convivência social, a liderança, a responsabilidade, o companheirismo, o respeito e todo um ferramental que baseia nossa vida em sociedade.

O que podemos esperar de uma nação onde se falta com a Educação? Onde as escolas estão fechadas e os shoppings abertos? Espero, do fundo de meu coração, que um dia nossos olhos possam voltar a brilhar como os de uma criança.

*Esther Cristina Pereira é diretora e psicopedagoga da Escola Atuação

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