A falácia do candidato a prefeito puxar voto para vereadores

A falácia do candidato a prefeito puxar voto para vereadores

Renato Battista*

23 de novembro de 2020 | 06h30

Renato Battista. FOTO: DIVULGAÇÃO

Um dos grandes temas que foram amplamente divulgados por especialistas, pela imprensa e por partidos é a necessidade de que, com o fim das coligações, as legendas deveriam lançar candidatos majoritários para que se puxasse votos para suas candidaturas proporcionais. Essa pressuposição gerou uma pulverização de candidaturas, mas o resultado das urnas provou que esta hipótese é falaciosa.

No caso da cidade de São Paulo, o partido que obteve a maior quantidade de voto para o legislativo municipal foi o PT com 652.924 votos (12,76%), sendo que sua candidatura majoritária obteve o pior resultado do partido na história na cidade com 461.666 votos (8,65%). Bruno Covas, do PSDB, obteve quase quatro vezes mais votos que o candidato petista (1.754.013 ou 32,85%) e seu partido elegeu a mesma quantidade de vereadores (oito), com votação menor (624.065 votos ou 12,20%).

Andrea Matarazzo, do PSD, obteve menos votos (82.743 ou 1,55%) que Joice Hasselmann, do PSL (98.342 ou 1,84%) e seu partido elegeu o triplo de vereadores (três) que o PSL (um). Arthur do Val, do Patriota, obteve votação maior que a do petista Jilmar Tatto, com 522.210 votos (9,78%) e seu partido elegeu três vereadores, cinco a menos que o PT.

Outra candidatura que pôs em xeque a necessidade de pulverização de candidatos majoritários para trazer votos aos proporcionais foi a candidatura de Márcio França (PSB), que ficou em 3º lugar e obteve 728.441 votos (13,64%). O seu partido elegeu apenas dois vereadores (o mesmo número do partido NOVO que não teve candidato a Prefeito) e o de seu vice, o PDT, não elegeu nenhum.

O DEM, comandado pelo vereador Milton Leite, não teve candidato a Prefeito e sequer a vice e mesmo assim obteve seis cadeiras no legislativo municipal com 439.714 votos (8,60%). O Podemos, também elegeu três vereadores, o mesmo número do partido de Arthur do Val e Andrea Matarazzo, apesar de não ter tido candidato a cargos majoritários.

Candidaturas que foram lançadas com o intuito de puxar votos para o partido e sua chapa de vereadores, como as de Orlando Silva (PC do B) e Marina Helou (REDE) também fracassaram neste sentido, uma vez que suas candidaturas proporcionais, que também não elegeram ninguém, obtiveram mais votos que as candidaturas majoritárias. No caso do PC do B, Orlando teve 12.254 votos (0,23%) e sua chapa de vereadores 69.209 votos (1,35%). Marina Helou, da Rede, obteve 22.073 votos (0,41%) e sua chapa de vereadores 51.923 votos (1,02%).

Muitos partidos nessas eleições resolveram lançar candidaturas majoritárias para “salvar” a bancada de vereadores do partido, que agora é proibida de fazer coligações. A estratégia se provou falha pelos motivos supracitados e deve contribuir para que, nas próximas eleições, os partidos não priorizem recursos para candidaturas majoritárias não-competitivas e invista em seus candidatos ao legislativo.

*Renato Battista é formado em relações internacionais pela ESPM, pós-graduado em ciência política pela FESPSP e mestrando em gestão e políticas públicas pela FGV. É coordenador nacional do MBL e presidente do Patriota na cidade de São Paulo

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