A evolução da automatização do sistema bancário e a chegada do PIX

A evolução da automatização do sistema bancário e a chegada do PIX

Jorge S. Camargo*

16 de setembro de 2020 | 04h00

Jorge S. Camargo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais perceptível a influência da transformação digital em diversos segmentos de nossa sociedade. Certamente, o setor bancário não poderia se isentar dos benefícios proporcionados pela máquina, na medida em que representa um serviço essencial para a população. Enquanto as instituições buscam absorver soluções inovadoras a fim de amplificar o escopo de suas operações, alguns levantamentos relevantes passam a inteirar um debate fundamental em termos de informação e até a democratização do acesso a uma grande parcela dos brasileiros. Desmistificar noções equivocadas e apontar para as reais contribuições da automação é um objetivo que deve habitar a pauta das organizações.

Não há como negar o impacto do período de pandemia sobre a relação das pessoas com os serviços financeiros. Tornou-se imprescindível o uso de ferramentas digitais para diminuir a aglomeração e frear a disseminação do vírus. Se até a chegada do COVID-19 esse já era um tema inadiável, a necessidade de se implementar o distanciamento social apenas expôs a urgência de se compreender o futuro do sistema bancário no Brasil.

Abrangência da automação sinaliza para bancos digitais 

O fator praticidade é sempre um componente a se considerar quando analisamos a ascensão da automação bancária. Para se ter uma dimensão, de acordo com um relatório publicado pela Febraban, o número de transações bancárias em dispositivos móveis aumentou cerca de 41% em 2019, totalizando 39,4 bilhões. Esse prestígio do Mobile Banking é uma sinalização coesa de que o usuário tem assimilado as facilidades operacionais propostas pelo uso de canais digitais. Assim como o Internet Banking, tratam-se de plataformas favoráveis à redução dos custos e à fidelização de clientes alinhados com essa mentalidade inovadora.

Essa automação, se abordarmos a estrutura interna dos bancos, traz benefícios contundentes em relação ao fluxo de dados, fomentando a criação de uma cultura empresarial embasada pelo Compliance. A integridade das informações concedidas pelos usuários representa um debate delicado e exige movimentações eficazes por parte dos gestores. A digitalização é uma aliada valiosa nesse sentido, também atuando na diminuição de entraves burocráticos.

O impacto do PIX e o dinheiro em espécie 

Direcionando a discussão para um quadro mais específico, encontramos a possibilidade de se extinguir o uso de cédulas físicas no Brasil. Para alguns, essa erradicação do dinheiro vivo pode confrontar hábitos milenares, mas devemos enxergar os fatos e utilizar o mundo no qual estamos inseridos como referência. Ao redor do planeta, diversos países trabalham no caminho de diminuir cada vez mais a significância de notas e moedas no cotidiano de seus cidadãos. Dos pagamentos que você realiza mensalmente, quantos são realizados através da utilização de dinheiro em espécie? Não se assuste se a resposta for de encontro a essa movimentação.

Naturalmente, é inconcebível conduzir uma mudança comportamental tão impactante para a realidade de muitos brasileiros sem assegurar que todos os artifícios disponíveis estejam ao alcance da sociedade em sua totalidade. Uma novidade próxima de acontecer repousa na figura do PIX, um novo sistema de pagamentos instantâneos que será implementado no Brasil a partir de novembro de 2020. Na prática, todas as instituições financeiras com mais de 500 contas ativas deverão adaptar seus processos e ferramentas internas a fim de aderir ao sistema. Criado e regulamentado pelo Banco Central, o programa tornará possível a realização de transferências e pagamentos em tempo real, a qualquer hora do dia, de forma contínua. Uma iniciativa que comprova a importância de se estruturar um setor financeiro respaldado pela automação.

Consequências da pandemia e a questão acerca dos caixas eletrônicos 

O uso recorrente de ambientes digitais para conduzir procedimentos padronizados, que costumeiramente eram realizados em agências bancárias, ilustra essa mudança comportamental por parte dos consumidores. No entanto, não podemos simplesmente retirar do vocabulário público a utilização de métodos financeiros reconhecidos por uma grande parte da população brasileira. Por isso, a importância de se compartilhar informações relevantes sobre o assunto, de forma clara e objetiva.

Os caixas eletrônicos representam com fidelidade essa incerteza que alguns demonstram quanto à utilização de modelos automatizados. Durante o ápice do isolamento social, por exemplo, foi comum se deparar com a realização de vídeos conferências para sanar dúvidas com os gerentes, além da possibilidade de se aproveitar de horários alternativos no atendimento. Essa dinamicidade é compatível com a implementação tecnológica, e a tendência é de que seja normalizada em nosso cotidiano. Não podemos afirmar que os caixas eletrônicos deixarão de existir, mas é seguro atribuir à tecnologia um protagonismo generalizado nos próximos anos. E esse processo já começou.

*Jorge S. Camargo é diretor de Automação Bancária e Prevenção a Fraudes da Orion

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: