A era do governo digital

Janderson Reis*

05 de fevereiro de 2021 | 03h00

A maneira como os governos encaram a transformação digital está passando por um processo de evolução que deve marcar a inovação na gestão pública ao longo da década: essa é a vez e a era do governo digital. Em 2020 a aceleração tecnológica nos órgãos municipais, estaduais e federais, foi fundamental para garantir aos servidores públicos a continuidade de seus trabalhos e a prestação de serviços à população, mesmo que de forma remota. Em 2021 a tendência é de que essa transição do analógico para o digital seja ampliada, gerando mais segurança, eficiência, economia e transparência no atendimento público.

Especialmente em um ano em que se inicia o mandato de prefeitos e vereadores eleitos nos 5.568 municípios brasileiros, e, novas lideranças na Câmara dos Deputados e no Senado, e governadores buscam mostrar pulso firme num cenário adverso, as lideranças políticas estão mais atentas às mudanças digitais impostas pela pandemia da Covid-19 e devem considerar o fator “tecnologia” como uma das referências no apoio à gestão pública nos anos que compõem a atual legislatura. Os impactos dessa mobilização devem envolver desde a oferta de serviços digitais ao cidadão e a automação de processos, quanto resultar em um novo “mindset” para o servidor.

Entram na leva de transformações o uso de ferramentas digitais em diversas áreas como, por exemplo: Saúde, Educação, Administração de Obras e Infraestrutura e Mobilidade. Também ganham espaço o teletrabalho e o trabalho híbrido em algumas esferas públicas, além de constante capacitação e mudança de cultura. Para dar conta dessas evoluções necessárias em um mundo cada vez mais globalizado, tanto a iniciativa privada quanto os órgãos públicos investem recursos anualmente em inovação com o objetivo de transformar governos e melhorar a qualidade de vida da população por meio da tecnologia. As parcerias público-privadas têm sido inclusive as hélices que movem o ecossistema de inovação e de transformação digital em território nacional.

As primeiras referências de como essa nova era de governos se comporta em termos de produtividade e resultados já começam a aparecer em escala global, embora ainda de maneira tímida no Brasil. A tendência é de que em 2021 as tecnologias digitais continuem avançando e moldando os mais diversos setores, dentre eles os governos em todos os níveis, para promover serviços e programas governamentais que atendam às necessidades das pessoas – capacitando-as e ampliando o envolvimento com o governo – e, voltada para o “Brasil digital”.

Um relatório global intitulado “Digital by default: A guide to transforming government” dá a dimensão do quanto a digitalização de processos e as mudanças organizacionais por parte dos governos pode melhorar os serviços, economizar dinheiro e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos: a transformação digital no governo pode gerar mais de US$ 1 trilhão anualmente em todo o mundo. A própria dinâmica da globalização incentiva que municípios, estados e países entrem na competição por investimento, bons talentos e conhecimento para os quais a adesão tecnológica tende a ser um forte diferencial.

Hoje os cidadãos e as empresas  preferem serviços governamentais digitais por sua conveniência, porque trata-se de uma via de mão dupla que promove uma convergência digital mais rápida e eficiente para todos. Isso amplia inclusive a capacidade de envolvimento da sociedade com os seus governos e líderes. Mostra ainda que não há mais espaço para atrasar o avanço tecnológico nas repartições públicas e o ano começa requerendo dos governos maior atenção para a transformação digital, a começar pela definição das principais prioridades relacionadas à digitalização; entender as diferenças com relação aos processos de governo atuais; definir as estruturas que serão deixadas de lado e as que serão abarcadas para tornar essa transformação tangível; mapear os desafios, os facilitadores e o que se espera para a construção de uma transformação digital duradoura.

Com estratégia e trabalho, os governos que estão dispostos a avançar nessa transformação certamente terão respaldo e bons subsídios para destravar os gargalos econômico-sociais, atuar com responsabilidade na gestão dos recursos públicos, e gerar melhoria na vida dos seus cidadãos. Para isso, demanda atenção sobre os recursos e ferramentas usados pelos governos para tornar viável a convergência digital e o atendimento ao público em questões de segurança, transparência, eficiência, funcionalidade, gestão de recursos, apoio na tomada de decisão e resposta às demandas da gestão pública.

Outro fator crucial diz respeito a estratégias bem definidas, boa governança, planejamento e organização, liderança, talentos e cultura. Esses elementos servem para tornar a conexão com a tecnologia e o retorno com a transformação digital mais universais, tangenciais e focados na melhoria dos serviços e da qualidade de vida dos cidadãos.

*Janderson Reis, gerente de marketing da unidade de Gestão Pública da Softplan

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