A economia compartilhada em tempos de crise

A economia compartilhada em tempos de crise

Thiago Nicolielo*

10 de fevereiro de 2021 | 07h00

Thiago Nicolielo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estamos vivendo um período sem precedentes por conta da Covid-19, no qual é preciso compreender as rápidas mudanças que aconteceram e continuam a transformar a vida das pessoas, o que também reflete no  trabalho, na forma com que as pessoas se relacionam, fazendo com que reavaliassem valores estruturais.

E, quando falamos de mudança de comportamento, cultura e de valores, essa nova condição naturalmente reflete no âmbito corporativo. Do lado das empresas, atualmente, não faz mais sentido gestões centralizadas, hierarquias bem demarcadas, em ambientes controlados e processos lentos. Do lado do consumidor, temos pessoas cada vez mais bem informadas, exigentes, questionadoras, em busca não apenas de um bom produto ou serviço, mas de conexões que façam sentido com suas crenças.

O conceito que já se discutia em meados de 2008 – resultado da crise mundial – é o de economia compartilhada, que torna-se ainda mais popular com as mudanças que vêm acontecendo no mundo, por conta da pandemia. Os períodos obscuros fazem com que as pessoas questionem o que realmente é importante consumir e, com isso, o modelo baseado na redução de custos, que gere oportunidade para profissionais  – em um momento em que a taxa de desemprego no Brasil bate recordes constantemente –  e, claro, oferecendo boas opções aos consumidores, é evidenciado.

Em suma, estamos falando do que parece simples: as conexões. Elas existem há milhares de anos mas, agora, com possuem um ingrediente impactante, que é a tecnologia. É ela que permite a agilidade e transparência nos processos e nas relações. E a tendência é que continue aquecendo a economia, transformando mercados que eram, até então, constituídos – em sua grande maioria –  por profissionais informais que, muitas vezes, não possuíam formação, vocação ou até mesmo tino para o empreendedorismo.

Como um exemplo, temos o mercado de arquitetura e construção. No Brasil, apesar de existir milhares de profissionais talentosos, de diferentes estilos, por uma questão cultural, acreditava-se que era um serviço direcionado apenas para pessoas com um alto poder aquisitivo, fazendo com que fosse percebido como dispensável, por grande parte da população.

Mas aí, entram em cena os desafios econômicos, somados à nova necessidade das pessoas de passarem mais tempo em casa, precisando adaptar os espaços para que abriguem os ambientes de trabalho, estudo e o lazer, de toda a família. E é das crises, novamente, que surgem as grandes oportunidades.

Neste contexto, assim como em muitos outros com o mesmo perfil, a economia compartilhada traz o protagonismo para todas as partes envolvidas: os profissionais que contam com suporte de uma tecnologia que os conecte com o mercado, gerando mais oportunidades de negócios; já o consumidor tem a liberdade da escolha do profissional e, mais do que isso, dos serviços que quer adquirir, além da transparência, que traz a segurança para qualquer investimento em serviços em um momento de incertezas.

Acima de tudo, ideias como essa promovem e dão oportunidade para toda a cadeia produtiva de um setor, ajudando a aquecer, no final das contas, a economia. Como? Gerando renda para profissionais,  os mesmos passam a ter um maior poder aquisitivo, investindo em outros setores.

Em 2021, observamos um horizonte positivo, um mundo renovado, mas que continuará sofrendo com as sequelas desse marco na história. E a tendência da liberdade, da economia e, principalmente da colaboração deve prevalecer, com organizações que ganham o papel, cada vez mais importante de trazer soluções não só para a vida dos consumidores, mas também para a sociedade.

*Thiago Nicolielo, CEO da OneHelp

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