A diplomacia da vacina

A diplomacia da vacina

Rússia e China captaram de forma eficiente a chance de fortalecimento da diplomacia

Cássio Faeddo*

14 de maio de 2021 | 09h00

Cássio Faeddo. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em postagem recente no Twitter, a Embaixada da China no Brasil reforçou a posição de Pequim sobre o papel chinês na vacinação global e combate ao coronavírus.

Na postagem, a Embaixada declarou que a China é o maior fornecedor de vacinas para países em desenvolvimento, bem como informou atingir mais de 80 países, além de exportar vacinas para outros 50. E, concluindo, esclareceu que permanecerá honrando seus compromissos globais.

A mensagem é bem eloquente no que se refere ao aproveitamento do vácuo diplomático deixado pela União Europeia e EUA no caso da pandemia. União Europeia e EUA deram passo em falso tanto na aquisição egoísta de vacinas, como foram reativas em face do que fariam para o restante do mundo. As respostas destes atores foram dadas claramente no sentido de resolverem primeiro seus problemas.

A quebra de patentes das vacinas, apoiada por Joe Biden, veio a bom tempo, ainda que a curto prazo não tenha grande resultado prático. Porém, sem dúvida, equilibra um pouco a balança diplomática na pandemia. Muito provavelmente, essa medida, por si só, não será o bastante.

Há uma razão, a centralização de compra de vacinas e equipamentos por EUA e União Europeia, especialmente em 2020, transmitiu ao mundo uma má imagem.

Por outro lado, como já mencionamos, Rússia e China captaram de forma eficiente a chance de influenciar, melhorar, fortalecer a diplomacia com diversos países por meio das vacinas desenvolvidas, suprimentos e insumos.

O custo mais baixo das vacinas chinesa e russa, bem como a relação prolongada que proporciona a transferência de tecnologia, garantem a presença futura de Rússia e China em dezenas de países que necessitam e necessitarão de vacinas contra a Covid-19, suas mutações, além de outras doenças não relacionadas à pandemia.

Trata-se de uma oportunidade diplomática bastante interessante também para o Brasil, seja como distribuidor de vacinas de tecnologia russa, chinesa, ou mesmo indiana, bem como no desenvolvimento de tecnologia própria.

O Brasil possui universidades e instituições, como Instituto Butantan e Fiocruz, que podem suprir a demanda por vacinas de diversos países, ampliando também a importância geopolítica brasileira. Trata-se de uma excelente oportunidade.

Enquanto União Europeia e EUA fecharam-se ao mundo na pandemia, China e Rússia perceberam com eficácia a oportunidade criada. Sem dúvida, são movimentos que devem gerar excelentes resultados futuros para China e Rússia.

*Cássio Faeddo, advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

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