A denúncia que acusa 7 investigados por lavagem de R$ 2,3 mi em Angra 3

A denúncia que acusa 7 investigados por lavagem de R$ 2,3 mi em Angra 3

Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal nesta quarta-feira, 22, cinco ex-dirigentes da Eletronuclear, já presos em Bangu 8, e dois sócios da VW Refrigeração por crimes de lavagem de dinheiro

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Luiz Vassallo

23 Março 2017 | 13h05

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O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal nesta quarta-feira, 22, cinco ex-dirigentes da Eletronuclear, já presos preventivamente em Bangu 8, e dois sócios da VW Refrigeração por crimes de lavagem de mais de R$ 2,3 milhões. A acusação teve origem nas investigações da Operação Pripyat.

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A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, acusa os sete investigados de movimentarem e dissimularem a origem de recursos destinados às obras da usina de Angra 3. Segundo os procuradores, ‘foram usados pelo menos 27 saques não identificados e depósitos entre 2010 e 2016 nas contas dos executivos, que já foram denunciados antes por corrupção e lavagem’.

“O esquema de lavagem de dinheiro entre a construtora Andrade Gutierrez e a VW se revelou maior do que tinha sido investigado: atendia não só ao ex-superintendente de construção da Eletronuclear, José Eduardo Costa Mattos, mas aos ex-diretores Edmo Negrini (Administração e Finanças), Luiz Soares (Dir. Técnico), Luiz Messias (Superintendência de Gerenciamento de Empreendimentos) e Pérsio José Gomes Jordani (Planejamento, Gestão e Meio Ambiente). Além deles, foram acusados os empresários Marco Aurélio Barreto e Marco Aurélio Vianna, da VW Refrigeração”, aponta a nota do Ministério Público Federal, divulgada nesta quinta-feira, 23.

O processo penal passa a tramitar se a denúncia for aceita pela 7a Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Com base nos dados bancários dos gestores da Eletronuclear e da VW Refrigeração, que teria Costa Mattos como “sócio oculto”, a Procuradoria da República os repasses de propina para os outros ex-diretores, que variam entre R$ 706,5 mil (Luiz Soares) e R$ 446,9 mil (Luiz Messias). Nesses quatro casos, ficou evidente a correspondência entre operações de pagamento e os saques das contas da VW, cujo único serviço prestado à Eletronuclear foi uma vistoria (e seu relatório) nas centrais de gelo do canteiro de obras da usina. A vistoria durou poucos dias e o ajuste fictício fixara mais de quatro anos de serviço.

“As saídas das contas da VW Refrigeração e os depósitos para os ex-gestores da Eletronuclear são suficientes para demonstrar que Negrini, Soares, Messias e Jordani, com a supervisão de Costa Mattos, se beneficiaram da lavagem de dinheiro da propina pela Andrade Gutierrez usando contratos fraudulentos com a VW Refrigeração”, afirmam os procuradores Leonardo Cardoso, José Augusto Vagos, Eduardo El Hage, Renato de Oliveira, Rodrigo Timóteo da Costa, Jessé Júnior, Rafael Barretto, Sérgio Pinel e Lauro Coelho Junior, autores da denúncia.

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