A demanda por profissionais ESG para a área de finanças e o perfil ‘ideal’

Alexandre Benedetti*

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Alexandre Benedetti. FOTO: DIVULGAÇÃO

ESG é a abreviação em inglês de environmental, social and governance, a qual se refere à adoção de critérios ambientais, sociais e de governança que vem fazendo parte da agenda estratégica de organizações de diferentes setores e servem como base para a tomada de decisões de investimentos em conjunto com os indicadores financeiros.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Talenses Group em janeiro de 2021, com 200 executivos e executivas da alta liderança, o primeiro contato com o tema aconteceu entre os últimos três anos para aproximadamente 70% dos executivos(as) respondentes, apesar do termo ter aparecido pela primeira vez em 2004 na publicação do Banco Mundial, em parceria com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e instituições financeiras de nove países, chamada Who Cares Wins.

Ainda sobre os dados do levantamento, foi possível diagnosticar que a pressão pela implantação e estruturação de uma agenda de ESG nas organizações vem principalmente de três atores: acionistas ou investidores e o próprio engajamento da sociedade de forma geral, ambos com 28%, além das obrigações regulatórias setoriais com 21%.

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Fato consumado que empresas precisam constantemente avaliar seu papel social e sustentável, ao mesmo tempo em que devem estar atentas aos riscos em sua operação, observando em paralelo as janelas de oportunidades. Dentro do contexto de ESG, noto que grande parte dos executivos e executivas de áreas financeiras trazem consigo uma evidente preocupação nos impactos financeiros de suas empresas, na medida em que aumenta a adoção de práticas ESG dentro das organizações.

Se por um lado CEOs e CFOs estão sendo cada vez mais desafiados a encontrar o equilíbrio entre resultados positivos, rentabilidade e crescimento, por outro o mundo implora por um repensar em como podemos alcançar tais feitos de forma sustentável, tanto para organizações, sociedade, quanto para a natureza.

Este é um conceito amplamente explorado no livro “Economia Donut”, escrito pela economista inglesa Kate Raworth (Oxford e Cambridge). Para ela, a teoria econômica precisa ser reformulada na medida em que o foco completamente centrado em crescimento já não faz mais sentido. A capacidade planetária de suportar as pressões humanas têm um limite, que deve ser alçado ao lugar prioritário para todos os players e espectadores.

Ao mesmo tempo, existe também um lugar mínimo quando o assunto é sociedade. Condições de acesso para todos a uma longa lista, que começa em comida, moradia, água potável, saneamento básico e termina em acesso à internet, empregos dignos e lazer. O teto de um lado e o piso de outro.

Para Raworth, o caminho não pode ser outro a não ser nos colocarmos dentro desse espaço do meio. Para expressar sua teoria, ela encontrou algo tão simples quanto um donut. Nos colocar no interior do donut, sabendo que fora dele está o teto da degradação ambiental, e dentro está o piso da privação social crítica. A teoria é promissora e já há países implementando tais conceitos, como Amsterdã – primeira capital a adotar o modelo da Economia Donut para criar políticas públicas.

Enquanto não chegamos neste nível de reconstrução econômica, que nos cerquemos de ações e iniciativas para tornar essa agenda de ESG o primeiro passo para uma sociedade mais equalizada.

Não por menos, os executivos e executivas de finanças podem e devem ser os grandes facilitadores desse processo, uma vez que está em suas mãos uma boa parcela de decisões dentro da empresa.

Com isso, a forte disseminação do tema nos últimos anos, além do crescimento de fundos ESG e dos Green Bonds, a retomada dos IPO’s (abertura de capital) em 2020 e a forte expectativa ao longo de 2021, tenho percebido um aumento significativo na busca por profissionais com competências alinhadas às práticas de ESG, como:

  • Pensamento crítico e sistêmico em diferentes níveis, envolvendo diversos atores na construção da estratégia;
  • Adaptabilidade e capacidade de influência para conseguir direcionar e (co)liderar as mudanças, buscando um denominador comum entre os envolvidos;
  • Inteligência emocional / social e empatia, trazendo uma visão mais ampla dos impactos sociais de cada decisão estratégica e não apenas aspectos financeiros;
  • Inovação com visão de longo prazo, enxergando oportunidades sem perder de vista objetivos e metas estipuladas.
A crise do COVID-19 escancarou as desigualdades em nosso e em outros países, ao mesmo tempo que foi capaz de quebrar inúmeros paradigmas antes impensados: unificamos comunidades científicas ao redor do mundo todo, vimos benchmarkings acontecendo em sistema de rede em que todos ali tinham um único objetivo: se ajudar.

Empresas tradicionais, sem nenhuma política pré-existente de home-office, tiveram que colocar 100% do seu quadro de colaboradores da noite para o dia dentro de casa. Recordes de doação financeira no Brasil, setores inteiros se repensando. Ações que demorariam possivelmente anos para serem criadas e executadas foram implantadas em questão de dias e meses.

Diante disso, quero acreditar que da mesma forma que crises nos tiram da zona de conforto e nos fazem ir além, uma agenda de ESG consistente e verdadeira será default para as organizações e que, no menor tempo possível, conseguirão equilibrar seus desafios de crescimento, rentabilidade e perpetuidade. Tema tão necessário e urgente não mais para o futuro e sim para hoje.

*Alexandre Benedetti, diretor do Talenses Group

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