A cultura como ferramenta da diplomacia

A cultura como ferramenta da diplomacia

Maria Celina Celina de Azevedo Rodrigues*

22 de maio de 2021 | 16h25

Embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Dia Mundial da Diversidade Cultural é celebrado anualmente em 21 de maio, data instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2002 após a aprovação, pela UNESCO, da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, no ano anterior. O documento reconhece que a cultura é mais do que uma simples forma de expressão; é também uma poderosa construtora de pontes entre países e sociedades.

Durante meu período à frente do Departamento Cultural do Itamaraty, que coincidiu com a negociação e adoção da Declaração Universal, pude observar e contribuir para que a cultura fosse instrumento de construção de uma imagem do Brasil no mundo. Ferramenta utilizada pelo Ministério das Relações Exteriores desde a década de 30, a chamada diplomacia cultural consiste na arte de construir relações afetivas e duradouras para além do âmbito governamental e tem como base a difusão da cultura como forma de adequar a visão estrangeira sobre nós.

Esse processo, aperfeiçoado ao longo dos últimos noventa anos, exige do diplomata uma série de habilidades especiais. Por se tratar de prática menos “convencional”, pois ultrapassa o espectro político e institucional, a diplomacia cultural, como instrumento de diplomacia pública, requer do diplomata conhecimento profundo da sociedade em que ele está inserido, além da capacidade de identificar e se relacionar com atores, em sua maioria não governamentais, de relevância e representatividade dentro do ecossistema cultural e criativo de outro país.

São esses agentes diplomáticos os incumbidos da missão de fomentar o diálogo equilibrado entre culturas, promovendo trocas que sejam mutuamente benéficas para o Brasil e a sociedade local. Caso contrário, a ação diplomática poderá ser interpretada, de forma contraproducente, como propaganda. Neste contexto, os dispositivos da tão celebrada Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural atestam a importância do pluralismo cultural como fonte de intercâmbio, inovação e criatividade.

Para uma ação diplomática efetiva, é preciso reconhecer o importante papel da cultura para além da dimensão simbólica, mas também como geradora de emprego, renda e cidadania. A busca do pleno exercício dos direitos culturais – direito constitucional de todo brasileiro, inclusive daqueles que vivem no exterior – implica oportunidade de crescimento econômico e inclusão social. A diversidade cultural brasileira é, portanto, um de nossos maiores ativos diplomáticos.

*Maria Celina Celina de Azevedo Rodrigues foi embaixadora do Brasil em Bogotá, chefe da Missão do Brasil junto às Comunidades Europeias e cônsul-geral do Brasil, em Paris. Atualmente, é presidente da Associação dos Diplomatas brasileiros (ADB/Sindical)

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