A criança digital: os perigos da exposição excessiva às telas

A criança digital: os perigos da exposição excessiva às telas

Daniel Faria*

25 de junho de 2020 | 04h30

Daniel Faria. Foto: Acervo pessoal

Que mãe ou pai nunca ofereceu o celular à criança a fim de obter tempo para realizar alguma atividade urgente? Essa é uma situação que se tornou rotineira em tempos tão agitados como os atuais, em que a tecnologia se encontra extremamente acessível, ao alcance das mãos.

Não se deve perder de vista, porém, os impactos negativos do uso exagerado das telas (televisão, videogame, smartphone, etc.) durante a fase de crescimento da criança. Sendo que o baixo nível de concentração, falta de empatia e instabilidade
emocional são apenas alguns exemplos desses efeitos prejudiciais para o desenvolvimento da sociabilidade infantil.

Sobretudo em tempos de isolamento, ocasionado pela crise do coronavírus, em muitas famílias aumentou o tempo de convívio com os filhos, assim como a necessidade de lhes dar a atenção de que tanto precisam. Agora, os pequenos têm aulas on-line, e a diversão ficou ainda mais atrelada à tecnologia. As grandes dúvidas que muitos pais têm são: como conciliar o uso de aparelhos digitais com uma rotina saudável? Até que ponto os recursos tecnológicos afetam a sociabilidade da criança? Qual é a medida ideal de tempo que os filhos podem passar diante das telas?

As respostas para essas perguntas estão em A criança digital: Ensinando seu filho a encontrar equilíbrio no mundo virtual (Mundo Cristão), escrito pelo antropólogo e especialista em relacionamentos Gary Chapman (autor do best-seller As 5 linguagens do amor) e pela escritora Arlene Pellicane.

Atentos às dificuldades da vida familiar no século 21, os autores sugerem práticas para impedir que a tecnologia atrapalhe o desenvolvimento de habilidades básicas de relacionamento, como afeto, gratidão, controle da raiva, perdão e atenção.

Decisões simples, como deixar o celular em outro cômodo durante o jantar, estipular horários fixos para o uso do vídeo game e estabelecer um “feriado” em que a família toda possa ficar longe das telas são o suficiente para iniciar uma mudança positiva na vida da criança.

O livro contém ainda uma ferramenta útil para ajudar os pais a avaliar se o tempo diante das telas está prejudicando ou não a saúde dos filhos. Basta preencher as dez questões a seguir com os números 0 (nunca ou raramente), 1 (de vez em quando), 2 (geralmente) ou 3 (sempre), e então somá-los:

(     ) Seu filho se irrita quando você pede que ele saia da frente da tela para jantar ou realizar outra atividade.

(     )  Seu filho pede que você compre um aparelho digital, como um tablet, mesmo depois de você ter dito não.

(     ) Seu filho tem dificuldade de terminar o dever de casa porque está ocupado vendo televisão ou jogando vídeo game

(     )  Seu filho recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas porque prefere brincar com aparelhos eletrônicos.

(     )  Seu filho insiste para jogar vídeo game ou brincar com outra atividade diante das telas mesmo depois de você ter negado.

(     ) Seu filho não pratica atividades físicas por ao menos uma hora ao dia.

(     ) Seu filho não faz contatos visuais frequentes com outras pessoas da família.

(     )  Seu filho prefere jogar vídeo game a brincar ao ar livre com os amigos.

(     )  Seu filho não gosta de nada que não inclua aparelhos eletrônicos.

(     )  Quando você proíbe o uso de aparelhos eletrônicos por um dia, seu filho fica irritado e manhoso.

Se a pontuação atingida for menor que 10, isso significa que seu filho não parece passar muito tempo diante das telas e é capaz de atuar dentro de limites saudáveis. Com uma pontuação de 11 a 20, a criança pode estar muito dependente das telas, e será preciso monitorar esse tempo com mais cuidado. Agora, se a pontuação ultrapassa 21 pontos, talvez seja hora de recorrer a orientação e ajuda profissional.

A tecnologia é um bem que precisa ser bem usado. No mundo virtual, tudo funciona com base em recompensas imediatas. Na vida real, porém, temos de exercer a paciência, saber dialogar e abrir mão de prazeres instantâneos em prol daquilo que é mais duradouro. A criança digital é um livro imprescindível para os pais que querem auxiliar os filhos a enfrentar desde cedo os imensos desafios dos relacionamentos sociais.

*Daniel Faria é editor da Mundo Cristão.

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