A corrupção atingiu o ‘coração do governo’, diz procurador

A corrupção atingiu o ‘coração do governo’, diz procurador

Andrey Borges de Mendonça, do Ministério Público Federal em São Paulo, diz que malfeitos não são 'um privilégio da Petrobrás'

Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

23 de junho de 2016 | 14h26

Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

O procurador da República Andrey Borges de Mendonça, que integra a força-tarefa da Operação Custo Brasil, deflagrada nesta quinta-feira, 23, declarou que ‘infelizmente, a corrupção não é um privilégio da Petrobrás, ela está espraiada como um câncer em diversas instituições’.

A Petrobrás foi o alvo primeiro da Operação Lava Jato, a maior investigação já realizada no País contra malfeitos com recursos públicos. A Lava Jato descobriu que a organização criminosa que desviou dinheiro da estatal petrolífera estendeu suas ações para outras empresas públicas e ministérios, entre eles o do Planejamento, Orçamento e Gestão, quando a Pasta era dirigida por Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisy Hoffmann (PT/PR).

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A Custo Brasil aponta desvios de R$ 100 milhões a partir da contratação da empresa Consist na gestão de Paulo Bernardo, em 2010 (governo Lula).

A Custo Brasil foi desencadeada a partir da delação premiada do advogado Alexandre Romano, o Chambinho, alvo de uma etapa anterior da Lava Jato, em 2016.

Andrey Borges, o procurador da Custo Brasil, destacou que não apenas a delação de Chambinho deu suporte à investigação que pegou o ex-ministro de Lula e Dilma (Comunicações). “Ela (a delação) é importante, o ponto de partida, mas esta operação é muito mais que a mera colaboração premiada.”

O procurador demonstrou perplexidade e indignação ante os valores desviados. “Cem milhões de reais foram desviados de funcionários públicos, que se privaram de medicamentos e de suas necessidades básicas para abastecer os cofres públicos.”

“A gente não pode admitir que isso passe a ser o custo Brasil, que seja natural esse custo Brasil, algo natural na nossa sociedade”, pregou Andrey. “Infelizmente, a corrupção não é um privilégio da Petrobrás, ela está espraiada como um câncer em diversas instituições.”

O procurador anotou que a Operação Custo Brasil ‘mostrou isso, o coração do governo estava atingido por esse mal (a corrupção).”

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