A conta da Rosy Blue DMCC indicada por filho de ministro do TCU para receber propina

A conta da Rosy Blue DMCC indicada por filho de ministro do TCU para receber propina

Os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz entregaram registro do repasse para Tiago Cedraz e seu sócio Sérgio Tourinho em conta de offshore por contrato da Petrobrás dirigido à norte-americana Sargeant Marine

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

25 Agosto 2017 | 05h33

Tiago Cedraz. Foto: Reprodução

Considerado o mais antigo lobista da Petrobrás, Jorge Luz – e seu filho Bruno Luz – entregou para a força-tarefa da Operação Lava Jato documentos de uma conta em nome da offshore Rosy Blue DMMC que foi indicada pelos advogados Sérgio Tourinho e seu sócio Tiago Cedraz – filho do ministro do Tribunal de Contas da União Aroldo Cedraz – para recebimento de propina referente a contratos da empresa norte-americana Sargeant Marine com a Petrobrás.

“Há robustos elementos probatórios, assim, de que Sérgio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira por intermédio da conta nº 1482327 da ROSY BLUE DMCC, mantida no HSBC Private Bank (Suisse) SA, visando ocultar a origem dos recursos obtidos mediante corrupção de agentes públicos e políticos, receberam ao menos US$ 49.506,04 em uma transferência bancária proveniente da conta
nº 595348-22 da TOTAL TEC POWER SOLUTIONS LTD”, afirma o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, no pedido de buscas da Operação Abate II – deflagrada nesta quarta-feira, 23. “Sendo ainda provável que tais valores tenham sido disponibilizados em espécie, no Brasil, mediante operações de ‘dólar-cabo’.”

A conta da offshore Total Tec era uma das usadas pelo lobistas Jorge e Bruno Luz, pai e filho presos pela Lava Jato desde fevereiro, acusados de serem operadores de propinas na Petrobrás ligados a políticos do PMDB. Os dois entregaram o registro de pagamento para Cedra e seu sócio e contaram que a conta Rosy Blue foi indicada por eles.

“Especificamente quanto ao auferimento de recursos pela contratação mediante prática de corrupção da Sargeatn Marine pela Petrobrás, narrou Jorge Antonio da Silva Luz que os pagamentos para Sérgio Tourinho e Tiago Cedraz foram operacionalizados mediante depósito na conta da offshore ROSY BLUE DMCC, conta indicada por eles e possivelmente pertencente a doleiro não identificado”, informa a PF.

O negócio sob suspeita é alvo das 44ª e 45ª fases da Lava Jato – Abate I e Abate II – que levou para a cadeia o ex-deputado Cândido Vaccarezza, no dia 18, e buscas nos endereços de Cedraz e seu sócio, nesta quarta. A atuação dos lobistas Jorge e Bruno Luz, em parceria com o filho do ministro e outros operadores e agentes da Petrobrás em favor da Sargeant Marine culminou na celebração de doze contratos, entre 2010 e 2013, no valor de aproximadamente US$ 180 milhões. A empresa fornecia asfalto para a estatal e foi citada na primeira delação do escândalo, feita pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa em agosto de 2014.

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A parceria entre lobistas, agentes públicos e políticos, envolveu a criação de uma empresa, denominada “Brasil Trade”, que pode ser a formatação de uma sociedade entre corruptos, corruptores e operadores de propinas, responsáveis por desvios em contratos com a Petrobrás, que beneficiaria PT e PMDB: 40% para os partidos. Além de Vacarreza e do filho do ministro do TCU, há suspeita da participação de aliados do ex-ministro Edison Lobão.

Documento

Segundo Jorge Luz, Edison Lobão teria sido, ao lado do ex-deputado Cândido Vaccarezza, padrinhos políticos do contrato. Vaccarezza não desfruta mais de foro especial. Na sexta-feira, 18, ele foi preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro. Na noite desta terça, 22, o ex-líder dos Governos Lula e Dilma na Câmara foi solto.

O lobista afirmou que além de Cedra e Tourinho, a conta da offshore Rosy Blue foi indicada pelo ex-executivo da Petrobrás Márcio Ache para recebimento de sua parte da propina nos contratos.

No âmbito do termo para fornecimento de asfalto, Vaccarezza é investigado por propinas de US$ 500 mil; já Lobão e seu suposto representante, Murilo Barbosa Sobrinho, são atrelados a repasses de US$ 450 mil em planilhas de pagamentos via offshore entregues pelos operadores de propinas.

COM A PALAVRA, TIAGO CEDRAZ

“O advogado Tiago Cedraz reitera sua tranquilidade quanto aos fatos apurados por jamais ter participado de qualquer conduta ilícita, confia na apuração conduzida pela Força Tarefa da Lava Jato e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO KAKAY, QUE DEFENDE LOBÃO

“O senador não conhece nem pai nem filho, nunca ouviu falar nesta empresa que eles citam e não tem nenhum tipo de relação e nunca esteve pessoalmente com eles – salvo se participaram de alguma audiência pública. E, sobre a outra pessoa [Murilo], ele conhece, tem um relacionamento pessoal, mas nunca participou de campanha de arrecadação para ele.”