A conduta das empresas na nova era e a importância de ações consistentes a um propósito

A conduta das empresas na nova era e a importância de ações consistentes a um propósito

Renato Rocha*

03 de dezembro de 2020 | 11h26

Renato Rocha. Foto: Divulgação

O mundo dos investimentos incluiu uma nova rota para o cenário financeiro e de valorização das ações. Não à toa, este novo caminho demanda cada vez mais o foco em atitudes conscientes, sustentáveis e responsáveis. O termo ESG – Environmental, Social and Governance (em português, Ambiental, Social e de Governança) é muito mais do que critérios e boas práticas, seu significado está ligado à preocupação com o futuro e com a transformação do mundo, envolvendo uma sociedade mais colaborativa, onde a geração de riqueza ocorra de forma inclusiva e sustentável.

A conduta das empresas baseada nessas condições exige o protagonismo de todos os setores de modo a garantir que esteja na pauta do dia, assuntos tão relevantes, cada vez mais, em voga no planeta. Ressalto que é um caminho sem volta e me arrisco a dizer que no longo prazo somente as companhias que conseguirem gerar ganhos para seus consumidores, funcionários, acionistas e fornecedores prevalecerão, tudo isso obviamente ancorado numa robusta governança. Empresas com essa filosofia apresentam muito mais resiliência, justamente por entender como a complexa relação de troca com todos os stakeholders pode se tornar uma mola propulsora para o sucesso.

As companhias abertas, com todo o grau de transparência que praticam, possuem uma grande oportunidade de serem os líderes da consolidação desta nova era. Ao profissional de RI, em particular, que é a linha de frente entre a empresa e o mercado de capitais, fica o desafio de comunicar, de forma estruturada, o quanto a atuação dentro dos princípios de ESG criam valor para o negócio no longo prazo e não podem ser ignorados na hora do investidor escolher como alocar seu capital.

Para detalhar melhor a sigla, reforço assuntos que consideramos primordiais na Neoenergia, distribuídos por cada tema em questão. Na parte Ambiental, ressalto as mudanças climáticas, a biodiversidade, os resíduos, a água e a energia. Em Social, segurança no trabalho e na comunidade, investimento socialmente responsável, acesso à energia, eficiência energética e satisfação do cliente. Em Governança, por sua vez, destaco ética e integridade, remuneração, gestão de riscos, fornecedores e inovação.

Para exemplificar, ressalto nosso compromisso com uma matriz energética mais limpa, temos hoje 87,5% de nossa geração proveniente de fontes renováveis, bem acima da média mundial. Além disso, criamos a Escola de Eletricistas da Neoenergia com turmas destinadas a mulheres, como forma de inserção no mercado de trabalho e aumentar sua participação em áreas majoritariamente masculinas. A iniciativa foi tão bem recebida, que garantiu mais de 20 mil inscrições de interessadas nos cursos. 

Como prática de Governança, além de estarmos listados no Novo Mercado da B3, destaco a promoção da diversidade também trazida para o cenário interno da empresa e, no ano passado, alcançamos 44% da força de trabalho feminina na diretoria, acreditamos que seja preciso aumentar ainda mais este percentual nas áreas operacionais e de liderança, trazendo um ambiente mais inclusivo e diverso a todos os colaboradores.

As iniciativas mencionadas englobam parte da nossa estratégia de ESG e estimulam ainda a inspiração de outros players do setor, além de outros mercados. Sabemos que temos a base para criar uma nova realidade e vamos investir para transformar o que estiver em nosso alcance. Com essas práticas sendo cada vez mais valorizadas, os próximos anos serão ainda mais furtivos para alcançarmos os objetivos de um planeta com maior desenvolvimento sustentável, maior empatia e crescimentos responsáveis para todos.

*Renato Rocha, superintendente de Relações com Investidores na Neoenergia

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